Abdul Mabud Chowdhury, o médico britânico que em março alertou o primeiro-ministro britânico para a falta de material de proteção entre os profissionais de saúde, morreu esta quinta-feira devido ao novo coronavírus, avança a Sky News. Chowdhury enviou mesmo uma mensagem, a 18 de março, a Boris Johnson, entretanto também infetado com Covid-19.

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O médico urologista tinha 53 anos e morreu após duas semanas de internamento no Queen’s Hospital, em Romford. Na mensagem enviada a Johnson, o médico referia que todos os profissionais de saúde do sistema nacional de Saúde britânico precisavam “urgentemente” de material de proteção. “Os profissionais de saúde estão em contato direto com os doentes” e têm um “direito humano, como os outros, de viver neste mundo, livres de doenças com as famílias e filhos”, escreveu.

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Devido à escassez de material e ao aumento contínuo do número de casos no Reino Unido, os médicos têm tentado arranjar alternativas para se protegerem. Uma médica de uma unidade de cuidados intensivos de um hospital do sistema de saúde público britânico decidiu quebrar o silêncio que tem sido imposto aos profissionais de saúde do país e, numa entrevista à BBC no passado domingo, disse sob anonimato que têm sido utilizado sacos de plásticos para proteção. Denunciou ainda que as datas de validade das máscaras têm sido alteradas.

Os dados oficiais mais recentes do Reino unido, revelados esta quinta-feira, revelam que o total de infetados pelo novo coronavírus ascende a 60.733 pessoas, com 5.492 testes positivos desde terça-feira. Já morreram 7.097 pessoas com Covid-19 desde o início da epidemia. Além do primeiro-ministro, que está internado, o princípe Carlos, herdeiro à Coroa britânica, é um dos infetados confirmados.