O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, instou esta quarta-feira os Estados-membros a mostrarem-se “à altura do desafio”, cedendo para criar respostas à crise económica gerada pela covid-19 na União Europeia (UE), e defendeu “formas extraordinárias de financiamento”.

Precisamos de encontrar formas novas, extraordinárias e comuns de financiamento e esta não é apenas uma questão de solidariedade, é do interesse de todos, dada a profunda interligação das economias europeias”, vinca David Sassoli numa declaração publicada esta tarde.

Em declarações divulgadas horas depois da suspensão dos trabalhos do Eurogrupo, dadas as divergências entre os Estados-membros sobre as soluções para a crise gerada pela pandemia, o líder da assembleia europeia sublinha que “o colapso de um país teria, inevitavelmente, consequências dramáticas para todos os outros”.

“Neste contexto, a resposta do Eurogrupo tem de estar à altura do desafio”, defende David Sassoli, exortando os governos nacionais a “assumir uma grande parte da responsabilidade” e a criar “instrumentos para ultrapassar esta emergência”. Apesar de reconhecer que “foram já apresentadas medidas importantes” a nível europeu, David Sassoli considera que “é preciso mais”.

Precisamos de criar um fundo de recuperação económica para partilhar os custos do relançamento das nossas economias e isso exigirá muito dinheiro e o orçamento da UE é demasiado limitado”, argumenta, salientando que a atual crise “exige que a UE faça muito mais”.

A reunião do Eurogrupo, presidido por Mário Centeno, foi suspensa esta madrugada após 16 horas de discussões sem consenso para um compromisso político sobre a resposta económica da Europa à crise provocada pela pandemia de Covid-19 e será retomada na quinta-feira.

O compromisso a que os ministros das Finanças estão ‘obrigados’ a chegar está a revelar-se difícil de ‘fechar’, pois o ponto mais controverso da resposta, o financiamento para os Estados-membros, que Centeno defende que deve ser garantido através de linhas de crédito do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), por ser a opção mais prática e “consensual”, continua a dividir os Estados-membros.

De um lado, vários países, encabeçados por Itália, defendem antes a emissão conjunta de dívida — os chamados “eurobonds” ou “coronabonds” — e o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, já reafirmou a sua oposição à solução em forma de empréstimos do fundo de resgate da zona euro. Do outro, um conjunto de países, com Holanda à cabeça, rejeita liminarmente a mutualização da dívida, e, mesmo em relação às linhas de crédito do MEE, quer impor condições.

Mais pacíficas serão as duas outras vertentes do pacote de emergência que o presidente do Eurogrupo espera “fechar” nesta reunião, para apresentar aos chefes de Estado e de Governo da UE: o programa de 100 mil milhões de euros proposto pela Comissão Europeia para financiar regimes de proteção de emprego e uma garantia de 200 mil milhões de euros do Banco Europeu de Investimento para apoiar as empresas em dificuldades, especialmente as pequenas e médias empresas.

Em pouco mais de um mês, esta é a quarta reunião por videoconferência dos ministros das Finanças europeus para tentar acordar uma resposta comum à crise do novo coronavírus, sendo que desta feita é-lhes “exigido” um compromisso, para ser apresentado aos líderes europeus.