O centro de rastreio à covid-19 temporariamente instalado no centro de congressos Europarque, em Santa Maria da Feira, está encerrado até segunda-feira devido a uma decisão do laboratório privado, revelaram esta sexta-feira o BE e a autarquia local.

Em causa está a estrutura clínica, operacional desde 21 de março, que foi anunciada pela autarquia como apta a realizar 400 exames diários, sete dias por semana, mas que vem procedendo apenas a 80 testes por jornada, chegando mesmo a encerrar em determinados períodos do expediente.

Fonte oficial do Laboratório Germano de Sousa explicou à Lusa, contudo, que “o centro de testes do Europarque nunca teve capacidade para realizar 400 testes por dia” e que a referência a esse número partiu de “uma informação errada” por parte da autarquia.

A Câmara Municipal da Feira é a entidade que gere esse centro de congressos e confirmou o encerramento temporário da valência de rastreio, atribuindo a responsabilidade dessa decisão exclusivamente ao Laboratório Germano de Sousa, que foi a entidade escolhida pela Administração Regional de Saúde do Norte para coordenar os recursos humanos e técnicos necessários para o efeito. A autarquia rejeita que tenha havido algum erro da sua parte quanto à capacidade do centro de rastreio, já que “a informação do Laboratório era que os 400 testes diários se referiam única e especificamente ao Europarque”.

Sobre este encerramento, a coordenação distrital do Bloco de Esquerda (BE) foca-se sobretudo na pausa imposta ao ritmo de diagnóstico. O Bloco considerou que é “verdadeiramente incompreensível” uma entidade privada convencionada com o Serviço Nacional de Saúde interromper uma atividade que serve “vários municípios numa altura em que se exige testes a todos os casos com algum sintoma enquadrável na covid-19”.

O BE já reclamou, aliás, a intervenção do Ministério de Saúde, exigindo que o Governo imponha a reabertura do centro de testes e o cumprimento “da capacidade de testagem inicialmente anunciada”.

Contactada pela Lusa, fonte oficial do Laboratório Germano de Sousa assegurou que “ninguém tirou férias por ser Páscoa” e realçou que as equipas responsáveis por interpretar o resultado dos testes “continuam a trabalhar 24 horas por dia para dar resposta à lista de espera”.

A mesma fonte insiste que as críticas se devem a um erro na informação inicial: “Nunca houve capacidade para realizar 400 testes por dia no Europarque. Os 400 testes seriam o número previsto para os seis centros de rastreio à covid-19 que temos a funcionar em toda a região Norte.”

Mesmo admitindo que os profissionais de saúde em funções nesses espaços “também precisam de descansar”, o representante do Laboratório garante que “o Europarque está a fazer o número de testes que lhe é possível” e refere que a paragem de hoje até segunda-feira de manhã irá agilizar os procedimentos que se seguem à recolha das amostras.

“Estes dias de pausa no trabalho direto com os utentes são para se analisar as amostras que já estão no laboratório e se obter o resultado delas mais depressa, para não se irem acumulando testes e atrasando o processo”, justifica.