A Direção-Geral da Saúde vai emitir “muito brevemente” nova informação sobre o uso generalizado das máscaras. A diretora-geral da Saúde disse esta sexta-feira, na conferência de imprensa diária, que está a ser preparada “uma norma, uma orientação ou uma informação” com base nas conclusões de um parecer do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), pedido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), num outro parecer do Programa Nacional de Prevenção das Resistências aos Antimicrobianos, e nas opiniões dos peritos nacionais. Destas instituições, só a OMS não recomenda o uso generalizado.

O debate está lançado há semanas e a Direção-Geral da Saúde tem repetido por múltiplas vezes que está alinhada com a OMS, que na segunda-feira passada voltou a dizer que não recomenda o uso de máscaras por toda a população. Já o Centro Europeu de Controlo de Doenças contrariou esta entidade e, um dois depois, frisou que as máscaras podem reduzir a propagação do novo coronavírus e que devem ser usadas por pessoas assintómaticas. Na comunidade, o seu uso é recomendado, sobretudo em locais fechados, como supermercados, nos transportes públicos e no emprego, se houver proximidade entre os trabalhadores. Porém, ressalva, esta medida deve ser um complemento ao distanciamento social.

Centro Europeu de Controlo de Doenças contraria OMS e aconselha uso generalizado de máscaras

Um parecer favorável veio também do Programa Nacional de Prevenção das Resistências aos Antimicrobianos (PNPRA), que funciona na alçada da DGS. Para fundamentar a decisão, o PNPRA dá exemplos de países que, com base em artigos científicos, passaram a usar generalizadamente esta proteção.

Os argumentos do parecer que recomendou à DGS o uso de máscaras para todos

Esta sexta-feira, Graça Freitas voltou a frisar que a DGS “tem sempre seguido as orientações da Organização Mundial da Saude que, neste caso concreto, solicitou ao Centro Europeu de Controlo de Doenças Transmissíveis um parecer”. Por isso, “muito brevemente” vai sair um documento com base nesse parecer, “complementado e concretizado para a nossa realidade” pelo PNPRA.

“Temos estado alinhados não só com as organizações internacionais de referência, das quais Portugal é estado-membro, como também ouvimos sempre os nossos peritos nacionais”. Essas conclusões serão vertidas para uma “norma, orientação ou informação que sairá nas próximas horas assim esteja revista por um grupo de peritos, e adaptando à realidade portuguesa”. Se segue as recomendações da OMS ou do PNPRA e da ECDC? Graça Freitas não disse.

Cerco em Castre Daire? “Não há justificação”

Na última conferência de imprensa, Graça Freitas tinha dito que estava a ser estudado um cerco em Castro Daire, depois de o presidente da Câmara, Paulo Almeida, o ter pedido por considerar que existe uma transmissão comunitária ativa. Mas a diretora-geral da Saúde esclareceu que, “do acordo entre a autoridade de saúde e a autarquia chegou-se à conclusão de que o que era necessário era reforçar junto da população a necessidade de manter o distanciamento social e encerrados determinados estabelecimentos”. Por isso, “não havia justificação para cordão sanitário”.

Câmara de Castro Daire valida e apoia cerca sanitária no concelho

Já sobre um estudo que conclui que a taxa de mortalidade é maior nos países onde não é obrigatória a vacina da BCG, Graça Freitas considera que “é muito precoce podermos dizer que tem robustez científica”. “Há muitos estudos sobre o vírus, esse é apenas mais um, mas não sabemos se tem base cientifica sustentável”, referiu.

Doentes infetados em lares: orientação é para manter

Graça Freitas mantém que, perante um caso positivo num lar, cabe às autoridades de saúde competentes, às autoridades regionais e aos responsáveis dos lares, “avaliar o risco e encontrar a nível comunitário” uma resposta “seguindo as normas e as boas praticas”. A diretora-geral da Saúde repete que os doentes, mesmo em lares, que tenham sintomas ligeiros, devem permanecer nesse local.

Esta orientação não mudou para já, mas, segundo a DGS e o ministério da Saúde, há novas alterações em vigor quanto a outro temas: são prolongados os prazos das prescrições médicas e serão entregues em casa dos utentes os medicamentos que antes só podiam ser adquiridos em meio hospitalar.

Aliás, o presidente do Infarmed, Rui Ivo, revelou que a entidade pediu “à industria farmacêutica que reforçasse as quantidades” de produção de medicamentos perante o surto da Covid-19, para ajudar no combate à doença. Houve um “aumento para aqueles medicamentos que são mais usados neste contexto”, com um aumento nos stocks em 20%. Foi ainda feito “algum reforço de reservas estratégias a nível central para situações que possam surgir”.