Os 13 técnicos navais portugueses retidos há duas semanas em Durban, litoral da África do Sul, foram retirados hoje do país num voo de repatriamento do Governo holandês, disse à Lusa o embaixador de Portugal neste país.

Os trabalhadores da empresa Sociedade de Pesca Miradouro, da Gafanha da Nazaré, integraram um grupo de 30 portugueses que viajou de Joanesburgo num voo de repatriamento do Governo da Holanda, devido ao encerramento de fronteiras decretado desde 23 de março pelas autoridades sul-africanas para conter a pandemia da covid-19, referiu Manuel Carvalho.

“O grupo português era de 30 pessoas e incluía dois residentes em Portugal que não são portugueses e que se juntaram ao grupo”, adiantou, em declarações à Lusa.

“Os restantes eram viajantes. Havia todo o tipo de situações, familiares, viagens de negócios, turismo, até porque aqui com o tamanho da comunidade portuguesa havia várias pessoas que estavam cá de visita à família, mas que estavam efetivamente a passear na África do Sul, embora com familiares cá”, precisou o diplomata português.

O voo de repatriamento na companhia de bandeira holandesa, KLM, referiu a mesma fonte, foi organizado pelo Governo dos Países Baixos, em coordenação com os Estados-membros da União Europeia, com destino a Amesterdão, e saiu às 10:30 (09:30 de Lisboa) do aeroporto internacional OR Tambo, em Joanesburgo, com escala técnica nas ilhas Reunião, estando a chegada à capital holandesa prevista para as 06:30 locais deste domingo.

A viagem de ligação entre a Holanda e Portugal dos 30 portugueses repatriados hoje pelo Estado português da África do Sul será depois feita através de um voo privado, fretado para o efeito pela empresa pesqueira portuguesa, disse ainda o diplomata.

Os trabalhadores de pesca portugueses ficaram retidos há duas semanas em Durban, onde concluíram a reparação de quatro navios pesqueiros que a empresa opera em Moçambique.

Questionado pela Lusa sobre o papel desempenhado pelo Estado português na operação de repatriamento holandesa e o motivo de os custos de repatriamento serem imputados aos requerentes portugueses, Manuel Carvalho referiu: “Os repatriados pagam o seu bilhete, a intervenção do Estado português é proporcionar a possibilidade de o voo acontecer e sem a nossa intervenção este voo não acontecia”, sublinhou.

“No caso concreto de um mecanismo europeu – e nós temos feito outros voos em que fomos nós os líderes em outros países, portanto há uma colaboração europeia – há consultas europeias diárias e vários países têm assumido essa posição alternadamente. Agora desta vez aqui foi a Holanda, nós fizemos isso noutros sítios”, adiantou.

Manuel Carvalho afirmou que “com 30 passageiros que iam hoje não fazia sentido mandar vir um Airbus de Portugal, e faz mais sentido racionalizar os meios e partilhar entre vários países”, destacando que “seguramente em grupo havia pelo menos com alguma dimensão holandeses, portugueses e franceses e, portanto, é uma questão de racionalidade de meios”.

“A Holanda trouxe um avião maior do que aqueles que precisava para os seus próprios passageiros e com isso conseguiu-se fazer a saída das pessoas que de outra maneira não saíam”, vincou.

Questionado pela Lusa por que é que o Estado português não enviou também um avião da Força Aérea Portuguesa à África do Sul, a exemplo do que fez com o grupo de 12 portugueses e duas brasileiras que repatriou de Whuan, na China, ou os voos que escalaram recentemente para o efeito a vizinha capital moçambicana, Maputo, o embaixador português considerou a operação de hoje como “um repatriamento direto”, sublinhando que “aqui [África do Sul] havia esta opção” em que era possível “partilhar o meio”.

Manuel Carvalho informou também que “mais dois portugueses” vão viajar hoje à noite da Cidade do Cabo, a bordo de um avião da companhia aérea de bandeira sul-africana South African Airways, fretado pelo Governo alemão, com destino à Alemanha, tendo a embaixada de Portugal em Pretória “ainda algumas situações por resolver” que se escusou a quantificar.

A África do Sul é o país mais afetado pela pandemia da covid-19 no continente africano, com 24 mortos e 2.003 casos de infeção confirmados, segundo as autoridades sanitárias.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 103 mil mortos e infetou mais de 1,7 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Dos casos de infeção, mais de 341 mil são considerados curados. Em África, há registo de cerca de 700 mortos num universo superior a 13 mil casos em 52 países.