Habituados a passar o dia a produzir automóveis, os operários da Seat estão a ter de lidar com um confinamento forçado em casa, devido à Covid-19. Há quem encare estes dias (meses?) de paragem forçada como uma oportunidade para colocar a leitura em dia, passar mais tempo com os filhos, apurar a forma física indoor ou dedicar-se àquele hobby que tardava. Mas há sempre quem surpreenda pela criatividade, ao (conseguir) fazer ski alpino sem sequer sair de casa.

Um dos exemplos mais divertidos sobre como ocupar o tempo chegou pela mão de Philipp Herrero, um engenheiro mecânico na fábrica da Seat em Martorell. O técnico espanhol estava em vias de partir para as habituais férias de Inverno com a família, quando o Governo ordenou que todos ficassem em casa. A contrariedade não retirou a boa disposição a Herrero, nem beliscou a sua paixão pelo ski. Daí que fizesse um vídeo em que ele surge a escalar uma montanha, para depois descer a skiar e até realizar saltos acrobáticos.

Mas nem todos os funcionários da marca espanhola têm a criatividade de Herrero ou a sua capacidade de realizar vídeos. Daí que Nick Allen, que habitualmente se dedica aos acabamentos dos interiores dos Seat, usando 30.000 metros de fio para coser bancos, volantes e painéis de porta, tenha colocado os seus 35 anos de experiência ao serviço de Espanha, fabricando cerca de 50 máscaras de protecção por dia. No que não está só, pois outros colegas da mesma secção entregaram-se à mesma actividade.

Carlos Arcos é o responsável máximo da secção de moldagem, aquela que fabrica o automóvel em barro para apurar as formas, antes de ser aprovado para passar à produção. Uma vez em casa, Arcos pode estar longe da Seat mas não da paixão pelo barro, pelo que com ajuda de um prato giratório passa as horas a fabricar pratos e jarras, entre uma escultura ou outra.

Um automóvel é composto em média por 4000 peças, muitas delas com uma tolerância de apenas um décimo de milímetro, o que para o responsável da secção de controlo de dimensões da Seat, Pedro Vallejo, é sinónimo de um puzzle de dimensões muito respeitáveis. Por outro lado, o especialista em pintura e acabamentos Jesús Guzmán encontrou uma alternativa aos Seat que diariamente lhe passam pelas mãos, do Mii ao Tarraco, com o técnico a passar a dedicar-se às miniaturas que colecciona.

Mas se a Seat vive da produção e venda de carros novos, nada impede os funcionários da casa de ter uma paixão por carros clássicos, até porque o fabricante mantém um museu recheado de modelos antigos. Ángel Lahoz pertence a uma equipa de 30 elementos do Seat Technical Center, que recuperou um dos primeiros Seat 600, veículo que necessitou de mais de 1000 peças originais e 1500 horas de trabalho. O que prova que cada um ocupa os seus tempos livres das mais variadas (e criativas) formas.