Em tempo de pandemia mundial, as Forças Armadas Portuguesas “disponibilizaram um conjunto de recursos, meios e profissionais” para combater a Covid-19. Quem o diz é o Comandante Pedro Serafim, porta-voz do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA). Com dois hospitais a funcionar, um no Porto e outro em Lisboa, são várias as áreas de apoio prestado pela família militar, pronta a ser ativada assim que a Proteção Civil decidir. Quando poderá acontecer? “Não sabemos, tudo depende de ordens superiores. Geralmente a ativação demora pelo menos 24 horas.”

No que diz respeito aos idosos, as Forças Armadas já desinfetaram lares e centros de saúde, a última ação foi na Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa de Misericórdia da Torre de Moncorvo. Neste momento, existem 60 equipas de profissionais capazes de dar formação em desinfeção de espaços a funcionários de lares. “Vemos um grande potencial neste tipo de serviço.” Desde a semana passada, os militares garantem ainda o transporte a equipas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na recolha de análises e amostras de testes de rastreio nos lares em todo o país.

Ao SNS, o EMGFA ofereceu duas mil camas, distribuídas por 11 unidades militares, no continente e nas ilhas, “para receber doentes infetados com sintomas ligeiros”. “Estas camas serão geridas pelo SNS e ocupadas assim que for necessário”, adianta o Comandante Pedro Serafim ao Observador. Para os profissionais de saúde, as Forças Armadas asseguram 300 camas, também em unidades militares, “para todos aqueles que não querem regressar para suas casas para não correrem o risco de contagiarem os seus familiares”.

Para apoiar no transporte e na logística de material médico, como ventiladores ou equipamento de proteção individual, o EMGFA criou um centro especial onde assegura o transporte de encomendas ou doações, sendo também responsável pelo seu armazenamento. “Até agora, já transportamos oito toneladas de material para os Açores e Madeira”, sublinha o Comandante Pedro Serafim.

Graças a um apelo militar, as Forças Armadas conseguiram reunir 7.800 voluntários prontos a entrar em ação, assim que o Governo considere necessário. Pelo menos mil são formados na área da saúde, estando também disponíveis pessoas com outras valências como a comunicação ou a segurança. “Entregamos uma lista com os nossos voluntários que, após entrevistas e exames médicos, podem ser integrados em diferentes equipas.”

Além do seu hospital de campanha em Lisboa, com 32 camas livres, a família militar montou vários postos médicos hospitalares do género em todo o país, como é o caso do hospital de campanha da Cidade Universitária, em Lisboa, o Hospital de Missão, no Pavilhão Rosa Mota, no Porto, ou as tendas de rastreio nos serviços prisionais de Caxias e Custóias. Um total que representa 60 tendas e três mil camas montadas e disponíveis a serem ocupadas. A pedido da Câmara Municipal de Lisboa, as Forças Armadas estão a prestar apoio aos sem-abrigo, distribuindo diariamente 1.200 refeições e uma máscara cirúrgica em três locais da cidade.

Para a família militar, incluindo os que estão na reforma ou na reserva, e para os funcionários do Ministério da Defesa, da Polícia de Segurança Pública (PSP), da Guarda Nacional Republicana (GNR), da Polícia Judiciária (PJ), do Serviço Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) vão poder beneficiar de uma linha de apoio, uma espécie de SNS 24. “Com esta linha vão poder tirar dúvidas, ter apoio médico e psicológico e pediátrico, para os seus filhos, ou até serem reencaminhados para rastreio”, explica o Comandante Pedro Serafim.

A pensar nestes profissionais, as Forças Armadas tem ainda uma Unidade Militar Laboratorial de Defesa Biológica e Química que assegura a realização de testes à Covid-19, estando a realizar 50 testes diários, e um centro de acolhimento para quem precise de isolamento e não tenha condições de o fazer nas suas casas. Ainda no que toca à sua capacidade laboratorial, a equipa aumentou a produção de álcool em gel para o SNS e Forças Armadas, conseguindo agora 2.700 litros por dia.

Além de apoiar e acompanhar vários projetos inovadores na área da saúde, como o desenvolvimento de viseiras, fatos de proteção integrais, ventiladores e até máscaras faciais ventiladas, os dois polos do hospital das Forças Armadas estão dispostos a testar estes novos dispositivos médicos nos seus profissionais de saúde.