O antigo ministro da Educação Nuno Crato afirmou esta segunda-feira, citando estudos internacionais, que os métodos de ensino online não são melhores do que os presenciais e acentuam as desigualdades e os problemas de quem tem uma situação económica mais difícil. Para Nuno Crato, no entanto, são “os professores [que] estão a ter uma situação particularmente difícil” e a enfrentar vários desafios, mas afirma que não “há outra alternativa, não é uma escolha”.

“Eu sou, desse ponto de vista, um privilegiado, porque ensino na universidade e só ensino no mestrado, portanto, adultos. E estimo que o meu trabalho se tenha multiplicado por quatro”, refere Nuno Crato, acrescentando: “Mas eu imagino e sei o que se passa com os meus colegas do ensino secundário e básico. Estão a ter um trabalho imenso e também têm famílias e filhos. Quer dizer, a situação está a ser difícil para todos, mas eu diria que os professores estão a ter uma situação particularmente difícil“.

O antigo ministro explicou ainda que existem algumas coisas essenciais no processo online. O novo formato exige a necessidade de um maior acompanhamento por parte dos professores, que devem apresentar a matéria de forma clara e “devem estar sempre preocupados em desenvolver pequenos testes, pequenas tarefas e acompanhá-las”, e dos pais, que devem acompanhar, incentivar e verificar o trabalho feito pelos filhos.

Têm de organizar os seus horários e têm de favorecer que os jovens os organizem também os seus horários, acompanhem as matérias que vão sendo explicadas pelos professores, utilizem os seus manuais escolares e cadernos e que tenham os contactos necessários com os professores”, explica.

Telescola. “Não temos alternativa. Não é uma questão de escolha”. A análise de Nuno Crato