Pela primeira vez desde 2001, o número de países com regimes autocráticos é maior do que a fatia democrática no mundo. São 92, segundo o relatório da V-DEM, que analisa e caracteriza o nível de democracia das diferentes nações. É aqui que Portugal se destaca: surge na sétima posição, à frente de países europeus como Espanha (9º. lugar), Reino Unido (13º.) e Países Baixos (16º.)

O estudo da Varieties of Democracy (V-Dem), que tem uma base com 28 milhões de dados de 202 países, entre 1789 e 2019, recorreu a cerca de três mil especialistas de várias partes do mundo para desconstruir os regimes e caracterizá-los por diferentes categorias. Portugal surge como exemplo de um Estado que evoluiu positivamente nas últimas cinco décadas (desde a revolução dos cravos) e, ainda que ocupe lugares cimeiros na generalidade, falha principalmente na componente da participação política dos cidadãos. Nessa categoria, cai para a posição 50 da tabela, que é liderada pela Suíça.

Esse desempenho menos positivo acaba por arrastar negativamente a categoria da igualdade — que olha para a forma como a distribuição mais igualitária de recursos pode ou não influenciar a capacidade da população de participar nos processos políticos que governam o país. Portugal fica-se pelo 27º. lugar do ranking.

Ao lado de Portugal, os primeiros dez lugares da tabela são ocupados maioritariamente por países europeus e só a Costa Rica (8º.) e a Nova Zelândia (10º.) são exceções. A Dinamarca é a melhor democracia do mundo, seguida da Estónia e da Suécia.

O estudo da V-dem realça ainda que todas as regiões do mundo fazem agora parte de uma “terceira onda autocratizante”, que está a afetar países economicamente importantes como o Brasil, Índia, EUA e a Turquia. Contudo, não deixa de destacar que a própria União Europeia tem, pela primeira vez, aquilo que considera ser uma não-democracia: a Hungria. O país liderado pelo polémico Viktor Orbán é agora classificado como tendo um “regime eleitoral autoritário”.