Devido à Covid-19, o Teatro Municipal do Porto (TMP) suspendeu a programação entre março e julho, e esta segunda-feira informa que irá retomar a sua atividade em setembro de 2020. Os 22 espetáculos e concertos que estavam agendados para esse serão integrados na próxima temporada 2020/2021, “salvaguardando assim o reagendamento de toda a programação anunciada e indo ao encontro das expectativas dos artistas e do público”.

No rol de reagendamentos estão as estreias de vários espetáculos nacionais, como “Estro/Watts – Poesia da Idade do Rock”, do Teatro Experimental do Porto em colaboração com o músico Paulo Furtado (7 e 8 de novembro de 2020); “Noite de Primavera”, do Teatro Nova Europa (21 a 24 de janeiro de 2021, como parte integrante do 89º aniversário do Rivoli) e “Lágrimas de Crocodilo”, dos Jovens Artistas Associados do TMP, Guilherme de Sousa e Pedro Azevedo (dezembro 2020, no âmbito do Foco Famílias).

Paulo Furtado e Gonçalo Amorim

Relativamente aos espetáculos internacionais, foram atribuídas novas datas às estreias em Portugal de “Canzone per Ornella” e “Postcards from Vietnam” (14 e 16 de janeiro de 2021, Teatro Rivoli), do coreógrafo alemão Raimund Hoghe; e de “For four walls”, “RainForest” e “Sounddance”, programa apresentado pelo CCN – Ballet de Lorraine em comemoração do 100º aniversário de Merce Cunningham (11 e 12 de junho de 2021).

Inicialmente programadas à boleia do Trengo – Festival de Circo do Porto, as peças “Ready”, da companhia de circo contemporâneo Erva Daninha (18 e 19 setembro de 2020), e “Pour le meilleur et pour le pire”, de Cirque Aital (30 de junho de 2021) serão alguns espetáculos com novas apresentações. No universo musical, Capicua apresenta o seu mais recente álbum “Madrepérola”, no dia 24 de outubro, já Pedro Tudela e Miguel Carvalhais regressam para um concerto no “Understage”, no dia 29 desse mesmo mês.

Capicua: “Houve pessoas que foram pela primeira vez a um concerto de rap porque eu fiz música”

Dadas as circunstâncias, a 5ª edição do Festival DDD – Festival Dias da Dança foi cancelada. “A organização já contactou todos os artistas e todas as companhias para a realização de uma edição em 2021, que garanta que os espetáculos previstos na edição de 2020 se realizam no próximo ano.”

“A preocupação do Teatro Municipal do Porto é (e será sempre) o trabalho desenvolvido pelos artistas, garantindo neste momento complicado das suas vidas os compromissos previamente acordados e salvaguardando que o seu trabalho artístico possa ser apresentado, num futuro próximo, nas melhores condições possíveis. O TMP procura, assim, dar as ferramentas necessárias para que o processo de criação possa continuar, num diálogo direto e cúmplice com artistas, companhias, parceiros e público”, afirma Tiago Guedes, diretor artístico do Teatro Municipal do Porto.

A KISMIF Conference, que estava agendada para julho, foi adiada para o próximo ano. Organizado pelo Instituto de Sociologia da Universidade do Porto, em parceria com a Câmara Municipal do Porto, o encontro bienal que visa debater e partilhar questões relacionadas com as culturas underground e as práticas DIY (Do-it Yourself), realizar-se-á nos dias 6, 7 e 8 de julho de 2021, no Teatro Rivoli.

Os ciclos mensais da programação do TMP, como as Quintas de Leitura, Modos de Ocupar e Cafés Literários, assim como os projetos desenvolvidos em parceria com a Matéria Prima, Lovers and Lollypops e Amplificasom (Understage), Companhia Instável (Palcos Instáveis), Medeia Filmes (Ver Primeiro), Universidade Lusófona do Porto (Olhares da Terra) e Curso de Música Silva Monteiro (Novos Talentos), continuarão a sua programação regular a partir do mês de setembro, tal como todas as atividades paralelas aos espetáculos.

Tiago Guedes referiu à Lusa que os “reagendamentos não vão fazer com que a próxima temporada seja mais pesada”, ainda que seja uma “temporada atípica” com “mais alguns espetáculos face ao que teria”, contando que o TMP procurou “fazer um corte e cose grande”.

“Não estivemos à espera que saíssem leis governamentais, como agora e bem existem, começámos a fazer um trabalho muito próximo com as companhias para tentar perceber quando é que estes projetos poderiam ser reagendados. Mantemos a totalidade dos compromissos com os artistas e com o público”, garantiu Tiago Guedes.

O diretor do TMP recordou que “muito público tinha comprado bilhetes para espetáculos que já estavam anunciados e foram cancelados”, garantindo que essas situações estão “salvaguardadas”.Quanto ao trabalho feito com artistas nacionais e internacionais esse foi “caso a caso”, contou, acrescentando que “serão assumidos custos a mais”, nomeadamente com ensaios extra. “A lei prevê, e bem, um pagamento de custos complementares e o TMP não é alheio a isso e assumirá, como não podia deixar de ser, ainda por cima numa situação como esta”, frisou.