O diretor artístico do Theatro Circo, Paulo Brandão, admitiu que o retomar das atividades como aconteciam antes da pandemia da Covid-19 pode demorar entre um a dois anos, sendo a segurança de todos o principal valor.

Em declarações à agência Lusa, a propósito do 105.º aniversário do Theatro Circo, em Braga, Paulo Brandão disse que, com uma programação já delineada até ao final do ano e entretanto cancelada, pelo menos, até ao começo de maio, estão à espera para saber “o que é que realmente uma estrutura como o Theatro Circo poderá fazer em termos de público, de espetáculo, com os artistas”.

A programação que surgir vai ser diferente e um pouco nova em relação ao que tínhamos vindo a fazer. Vamos reprogramar todos os espetáculos que sejam passíveis e possíveis de reprogramar este ano e no próximo ano. Se a estrutura abrir este ano, porque ninguém consegue dizê-lo neste momento”, afirmou o diretor artístico da instituição que chega a contar com cerca de 100 pessoas a trabalhar em dias de “casa cheia”.

Agora, com todas as incertezas em torno da manutenção — ou levantamento — do estado de emergência em Portugal e a nível internacional, Paulo Brandão salienta que é possível que sejam introduzidas limitações ao funcionamento de um espaço com 900 lugares, como é a sala principal do Theatro Circo.

[O retomar da atividade] talvez aconteça gradualmente e só o possamos fazer da mesma forma que o fazíamos, se calhar, daqui a um ou dois anos, não tenho dúvidas disso, porque não estou em crer que as coisas aconteçam da mesma forma”, afirmou Paulo Brandão, realçando que a manutenção dos controlos fronteiriços terá impacto também em termos de programação internacional.

Questionado sobre a possibilidade de realizarem mais atividades “online”, Paulo Brandão explicou que a experiência do 105.º aniversário vai ser avaliada, no dia 21 de abril, para pensar o que fazer depois.

Nesse dia, o Theatro Circo vai acolher, através do Instagram de mais de 20 artistas, atuações de nomes como Adolfo Luxúria Canibal, Ana Moura, Conan Osiris, Cristina Branco, Pedro Abrunhosa, entre outros. “Pode ser uma altura boa para pensarmos a questão do ‘streaming’ e perceber quando é que o podemos usar, mesmo em coisas futuras. De qualquer maneira, é claro para nós que não queremos perder esta ligação às pessoas”, declarou.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já provocou mais de 117 mil mortos e infetou mais de 1,9 milhões de pessoas, em 193 países e territórios. Dos casos de infeção, quase 400 mil são considerados curados.

Em Portugal, segundo o balanço feito na segunda-feira pela Direção-Geral da Saúde, registam-se 535 mortos, mais 31 do que no domingo (+6,2%), e 16.934 casos de infeção confirmados, o que representa um aumento de 349 (+2,1%). Dos infetados, 1.187 estão internados, 188 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 277 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 2 de março, encontra-se em estado de emergência desde de 19 de março e até ao final do dia 17 de abril.