O Banco do Povo Chinês (banco central da China) reduziu em 20 pontos base, de 3,15% para 2,95%, a taxa de juros da sua principal ferramenta de empréstimos aos bancos, o maior corte de sempre.

O corte nas taxas de serviços de empréstimos de médio prazo (MLF) implica uma injeção de 100 mil milhões de yuan (12.914 milhões de euros) no sistema financeiro, com vencimento de um ano.

Em 30 de março, o banco central da China tinha já realizado o maior corte, desde 2015, nas taxas de juros de uma das suas principais ferramentas de injeção de liquidez, os contratos de recompra de sete dias (“repos”), mantendo-os no mínimo histórico. A instituição já tinha também baixado as taxas de serviços de empréstimos de médio prazo, em novembro passado, em cinco pontos base, e em fevereiro, em 10 pontos base.

As restrições sob a movimentação de centenas de milhões de pessoas ou o encerramento forçado de estabelecimentos e fábricas, como medida de prevenção contra o surto do novo coronavírus, que surgiu na China, em janeiro passado, ditaram a maior contração na atividade económica do país em várias décadas.

Segundo a consultora Capital Economics, embora “o banco central da China não tenha fornecido nenhuma explicação”, o corte “parece ter como objetivo reduzir os custos de financiamento para os bancos”, visando tornar mais baratos os empréstimos para os seus clientes.

A tendência negativa acumula-se no exterior, enquanto a procura doméstica está a lutar por uma recuperação total após o surto do novo coronavírus, apesar de muitas empresas terem retomado a atividade, pelo que o banco central parece estar a acelerar o ritmo de flexibilização monetária”, escreveu Evans-Pritchard, analista da Capital Economics.

No entanto, serão necessárias mais medidas “para garantir que a economia [chinesa] retorne ao normal”, apontou.