O volume de chamadas para o número de emergência médica (112) está a diminuir desde que foi decretado o estado de emergência devido ao surto da Covid-19. Resultado do confinamento? Ou do receio dos cidadãos em recorrerem ao Serviço Nacional de Saúde (SNS)? Independentemente da resposta, o Governo e o INEM alertam: os portugueses podem e devem ligar para o 112 em caso de emergência.

Se antes da pandemia, o INEM recebia, em média 3.800 chamadas, hoje recebe menos de 500 por dia, “o que resulta do confinamento mas não pode resultar do receio dos cidadãos de recorrer ao SNS em caso de urgência”, defendeu António Lacerda Sales, que assegura: “o SNS continua a garantir resposta”.

Para provar a importância do Instituto Nacional de Emergência Médica neste combate à pandemia, o presidente do INEM, Luís Meira, marcou também presença na conferência de imprensa e corroborou o que o secretário de Estado tinha dito: “As pessoas podem e devem ter confiança no sistema integrado de emergência médica”, disse, garantindo que os profissionais estão treinados e têm formação para reduzir ao máximo os riscos de contágio durante a assistência que prestam aos doentes com e sem Covid-19.

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“Está garantida a segurança para que a intervenção possa ser feita sem problemas e sem receios de infeção; os circuitos estão bem definidos, os operacionais têm formação e conhecimento necessário para reduzir ao máximo os riscos de contaminação, por isso é importante que as pessoas que têm necessidade de assistência médica não adiem esse contacto ao 112”, disse, saudando os profissionais do INEM, e respetivas famílias, que estão “expostas ao risco”.

Questionados sobre o apoio psicológico que está a ser prestado à população, e nomeadamente aos profissionais de saúde, o secretário de Estado da Saúde garantiu estar a trabalhar em planos de apoio em colaboração com a Ordem dos Psicólogos, estando a linha de Saúde 24 também disponível para este tipo de assistência. De 376 chamadas recebidas naquela linha, 33 dizem respeito a profissionais de saúde, que procuram aquele tipo de ajuda, avançou o governante.

Também Luís Meira avançou que o INEM criou uma estrutura de acompanhamento dos profissionais infetados “garantido o apoio para tudo o que é necessário”. Segundo Luís Meira, o número de chamadas na linha de apoio psicológico do INEM desceu nos primeiros meses do ano, mas “nos últimos dias” tem aumento ligeiramente para “valores semelhantes aos do ano passado”. “Estamos com 50 e poucas chamadas, em média, por dia“, nota.

Em 100 mil habitantes, quase 6 morrem de Covid-19 em Portugal

Muito se tem falado sobre a taxa de letalidade da Covid-19 em Portugal: ou seja, o número de infetados que acaba por morrer (e que, em termos globais, está atualmente em 3,3%, subindo para 11,7% nos maiores de 70 anos). Esta quarta-feira, o secretário-geral da Saúde, António Lacerda Sales, avançou um outro dado: “A taxa de mortalidade relativamente aos doentes Covid é de cerca de 5,5 por 100 mil habitantes em Portugal”. Ou seja, em 100 mil habitantes, quase 6 (5,5) morrem de Covid-19.

Este número é, segundo o secretário de estado, uma taxa inferior “à da maioria dos países da Europa”, sendo mais baixo, pelo menos, na Alemanha e na Áustria. Diogo Cruz, subdiretor geral da Saúde, explicou, porém, que esta taxa de mortalidade se refere a todas as pessoas que faleçam com Covid “independentemente da causa básica”. Por isso, “do ponto de vista técnico, podemos ter um numero de óbitos maior comparativamente a outros países que classificam de forma diferente”.

Diogo Cruz alerta para que não se relaxem as medidas, ainda que pareça que “estamos numa fase mais tranquila”. “Mas a fase só é tranquila e só vamos melhorar se cumprirmos aquilo a que nos propusemos. Vamos ser cautelosos, vamos continuar a trabalhar no dia a dia para termos os melhores resultados possíveis”, disse.

Para António Sales, a taxa de mortalidade atualmente registada “é um indicador bom”. “Não nos comparamos com outros países porque achamos que é uma luta global. Estamos solidários com todos os países. É uma luta em que se vão ganhando batalhas de uma guerra superior e global”. E elogiou “o excelente comportamento e civismo do povo português” para a curva portuguesa em planalto.

Um milhão de testes em stock

António Sales avançou ainda que Portugal fez “mais de 200 mil testes” desde o dia 1 de março, e tem 1 milhão e 35 mil testes em stock. “Foram distribuídos esta semana mais 265 mil testes pelas 5 administrações regionais de saúde”, frisou, especificando que a região Norte recebeu 45% dos kits, e Lisboa e vale do Tejo recebeu 30% desse valor global. Ou seja, o governo não quer ser acusado de que os números de infetados em Portugal não são exponenciais por haver falta de testes.

“Continuamos empenhados em garantir que os testes chegam onde são mais necessários e a melhorar o tempo de resposta entre a colheita e os resultados”, disse ainda o secretário de Estado da Saúde na habitual conferência de imprensa diária.

Questionado sobre se o Governo está a atribuir espaços próprios para receber utentes dos lares, António Sales sublinhou que o Governo está “a perceber se os lares, que são estruturas que muitas vezes têm dificuldade em receber doentes Covid, podem desdobrar-se noutras estruturas para poder separar doentes Covid de não Covid”, sendo que a avaliação será feita caso a caso. “Acredito que os lares estão a fazer um enorme esforço em garantir estas situações”, disse ainda.