O distanciamento imposto pela Covid-19 obrigou a Embaixada de São Tomé e Príncipe a mudar a forma de pagamento aos doentes em Portugal, onde já morreram dois são-tomenses infetados, estando a organizar uma recolha de fundos para apoiar esta comunidade.

Este mês vai ocorrer o primeiro pagamento aos doentes em tratamento em Portugal desde que a pandemia foi decretada e por isso os serviços da embaixada ainda estão a estudar um método que evite a deslocação dos cidadãos aos serviços, de modo a ser salvaguardado o distanciamento social, como explicou à Lusa o primeiro secretário da Embaixada de São Tomé e Príncipe em Portugal, Nilson Reis Lima.

Em causa está o pagamento a 300 doentes que estão em Portugal por razões de saúde e aos quais a embaixada tem apelado para respeitarem as imposições a que a pandemia obriga, nomeadamente o distanciamento social.

Nilson Reis Lima, que é o responsável pelo gabinete político-diplomático, cooperação e CPLP da embaixada, reconheceu que não é fácil a comunidade, que vive sobretudo na margem sul, Sacavém e Amadora, perder hábitos como estar em grupo na rua, a jogar às cartas ou em festa.

Chamámos a atenção da comunidade para respeitar as regras, respeitando dessa forma a comunidade e também o país onde a comunidade está inserida”, disse. Para este responsável, trata-se do “princípio de responsabilidade: a doença não escolhe, não tem rosto nem é visível”. Mas “a mensagem tem sido bem passada”, garantiu.

Até ao momento, a Covid-19 causou a morte a dois cidadãos são-tomenses que viviam em Portugal, o que levou a embaixada a contactar a família e a prestar o devido apoio.

A primeira morte ocorreu em 28 de março e, na altura, a embaixada aproveitou a “triste ocorrência” para emitir uma mensagem pública a apelar aos são-tomenses residentes em Portugal para “respeitarem rigorosamente as medidas adotadas pelas autoridades portuguesas, em face da pandemia da Covid-19, mantendo-se em casa e evitando todo o tipo de ajuntamento, quer para atividades recreativas ou associativas quer para outros fins.

No mesmo dia, o embaixador de São Tomé e Príncipe em Portugal, António Quintas, dirigiu uma mensagem aos profissionais de saúde são-tomenses a trabalhar com os colegas portugueses, reconhecendo o seu empenho e apelando à própria proteção “na esperança de que esse combate seja curto e vitorioso”.

Ainda a pensar nos doentes são-tomenses e também nas necessidades que São Tomé e Príncipe atravessa neste momento, a embaixada encetou uma campanha a apelar à dádiva da comunidade, e não só.

São Tomé e Príncipe vive sobretudo da ajuda externa e da receita do turismo, a qual nesta hora obviamente que vai ser reduzida. A campanha é uma forma de ajudar o país e as comunidades, sobretudo as mais necessitadas como os doentes na diáspora”, referiu.

E recordou que esta pandemia é uma situação nova, com a qual não é fácil lidar e que, tendo em conta a demanda, pode levar a um certo esquecimento dos compromissos nacionais, o qual tem de ser evitado.

Na terça-feira, o primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe reconheceu que a pandemia da Covid-19 “subverteu” as agendas do seu Governo e declarou que “todo o foco” é para proteger a saúde das populações.

É verdade que esta doença alterou as nossas vidas, subverteu as nossas agendas, as nossas prioridades colocando-se no primeiro lugar e todas as nossas atenções, todas as nossas energias, todo o nosso foco está em proteger a saúde das nossas populações”, disse o primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus. No país estão confirmados quatro casos da Covid-19.

A nível global, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 133 mil mortos e infetou mais de dois milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 436 mil doentes foram considerados curados.