Rosario Sparacio era o irmão mais velho daquele que foi considerado um dos mafiosos mais poderosos do leste da Sicília. E, por isso, a Máfia fez-lhe um funeral com dezenas de pessoas, em Messina, na ilha de Sicília, ignorando as restrições impostas pelo governo italiano — o que gerou alguma indignação entre os habitantes e já levou até o Ministério Público a abrir um inquérito.

O acontecimento foi noticiado pelo jornal Gazzetta del Sul: na passada sexta-feira, cerca de uma centena de amigos e familiares, uns a pé, outros de mota, outros de carro, teriam acompanhado o caixão de Rosario Sparacio, de 70 anos, em procissão fúnebre até cemitério onde se realizou o funeral.

Várias fotografias foram sendo partilhadas — gerando indignação entre os habitantes. Especialmente, numa altura em que os italianos estão fechados em casa há mais de um mês e em que, devido ao surto de Covid-19 o Governo proibiu a realização de funerais ou quaisquer eventos religiosos.

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Um deles foi Claudio Fava, que preside uma comissão antimáfia, na Sicília. “Enquanto na Itália não há funerais ou casamentos, como é possível que, em Messina, uma centena de pessoas acompanhe o caixão do irmão de um chefe da máfia até o cemitério?”, escreveu nas redes sociais, segundo relata o The Guardian.

Claudio Fava também questionou o facto de o presidente da Câmara de Messina, Cateno De Luca, “sempre pronto a fazer barulho”, não comentar o caso. Contrastando com o silêncio do edil local, Francesco D’Uva, porta-voz do partido Movimento 5 Estrelas, já reagiu ao acontecimento no Twitter. “Isto é muito sério”, lê-se no tweet.

A família de Rosario Sparacio também já reagiu às indignação. “Deixem-nos em paz, não tirámos nada de ninguém. Somos boas pessoas. Se fossemos realmente aqueles chefes da máfia de quem vocês falam tanto, não se atreveriam a atacar-nos”, escreveu um dos familiares no Facebook, citados pelo The Guardian.

Os investigadores procuram agora reconstituir todos os momentos do funeral. Segundo o jornal Gazzetta del Sud, estão a ser recolhido os vídeos das câmaras de videovigilância da área que podem ter filmado tudo. Os investigadores já deram também início aos interrogatórios de várias pessoas envolvidas.