Cerca de dois terços (65,7%) dos alunos do ensino superior que participaram num inquérito sobre o impacto da pandemia Covid-19 afirmam que os docentes não estão preparados para desenvolver um ensino não presencial.

A conclusão surge no último relatório sobre o impacto da pandemia da Covid-19 no sistema de ensino português do Observatório de Políticas de Educação e Formação (OP.EDU) divulgado esta quinta-feira.

De acordo com o documento a que a agência Lusa teve acesso, 60% dos inquiridos refere também que as aulas e atividades propostas em contexto de ensino não presencial são menos interessantes. Para este relatório, a amostra conta com 860 respostas de alunos do ensino superior, sendo que a maioria dos respondentes (75%) são do sexo feminino e quase 90% frequentam instituições públicas.

Mais de metade dos inquiridos (60%) afirma que a solução para o ensino não presencial encontrada pela sua instituição funciona, mas tem que ser melhorada, sendo que apenas 21% diz que não funciona e que terá de ser encontrada outra solução, conclui o relatório realizado pelos investigadores Ana Benavente, Paulo Peixoto e Rui Machado Gomes. Cerca de um terço dos alunos afirma que a sua participação em atividades e aulas no ensino não presencial diminuiu e 60% diz que as atividades não presenciais têm exigido demasiado trabalho aos alunos.

Quase metade dos inquiridos (40%) nota um aumento dos níveis de ansiedade, 14% sentem-se isolados, 16% apáticos e 6% agitados, sendo que a quase totalidade dos alunos (95%) diz estar algo preocupado ou muito preocupado com as avaliações no final do ano letivo.

Os investigadores notam que há um contraste nas respostas ao longo do questionário entre aqueles que classificam a situação como globalmente desfavorável (60%) e aqueles que consideram globalmente favorável (cerca de 15%).

Os que consideram que a situação é-lhes globalmente favorável não diminuiu a sua presença em aulas e tem tendência a considerar que o contexto não diminuiu o interesse das aulas, que os professores estão bem preparados e que a solução para o que resta do ano letivo é a correta, constatam os investigadores.

Já os que consideram a situação desfavorável, assiste a menos aulas, tem menos interesse, discorda mais da solução definida para o resto do ano letivo, considera que o ensino não presencial dá demasiado trabalho e está mais preocupado com a avaliação final.

O estudo está a ser desenvolvido pelo OP.EDU, observatório que junta o Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento (CeiED), da Universidade Lusófona, e o Centro de Estudos Sociais (CES), da Universidade de Coimbra. Os investigadores vincam que “a amostra não tem preocupações de representatividade e não autoriza generalizações”, permitindo apenas “destacar tendências”.

O estudo desenvolvido pelo OP.EDU, com base num inquérito online disponível desde 23 de março, já divulgou também os resultados das respostas a encarregados de educação e a alunos menores de 16 anos.