Depois do Carocha, internamente conhecido como o VW Type 1, o segundo modelo produzido pelo construtor germânico foi o Type 2, também conhecido por Pão de Forma, o furgão que era vendido em três versões, do comercial para carga à versão de passageiros, passando pela pick-up. O que poucos julgavam possível é que um destes veículos, nomeadamente uma unidade produzida em 1958, se revelasse capaz de atingir quase 500 km/h.

O Pão de Forma em causa é conhecido como Oklahoma Willy e está construído sobre um VW Type 2 na versão Bus, ou seja, de passageiros, que na época (a partir de 1955) recorria a um motor boxer com quatro cilindros opostos e 1192 cc, capaz de fornecer 30 cv. Uma “bomba” portanto, capaz de arrastar o modelo que se celebrizou durante o Flower Power, sem que alguém se importasse com a sua reduzida capacidade de aceleração.

Mas o Oklahoma Willy é um Pão de Forma diferente. Em vez do pequeno motor com 1,2 litros, monta na traseira, que por isso foi transformada em pick-up, um motor da Rolls-Royce. Não um V8 ou um V12 a gasolina, mas uma unidade da Rolls-Royce especializada em produzir motores a jacto para aviões. E nem foi necessário fazer um esforço descomunal para extrair um total de 5000 cv.

O motor saiu de um avião “velhote”, um BAC Strikemaster britânico que voou a primeira vez em 1967, e a unidade em causa foi herdada de um Rolls-Royce Viper 535 de 1978. Foi necessário algum trabalho para instalar o enorme motor no Type 2 e, sobretudo, dotá-lo de um afterburner, o que no total absorveu seis anos de trabalho.

Agora que já está finalmente em condições de andar, o Oklahoma Willy tem uma velocidade máxima teórica de 483 km/h. Watkins, o seu criador, admite que a partir dos 258 km/h existe alguma instabilidade – muito provavelmente, porque a aerodinâmica de um veículo que foi concebido para atingir 100 km/h, com um motor de 30 cv, dificilmente se sentirá à vontade para rodar a quase 500 km/h.

O mais curioso é que o Type 2 mantém o motor a gasolina original, o que significa que se pode deslocar livremente (e legalmente) pela via pública. E deverá ter sido assim que chegou a esta pista de provas de arranque ou, como os americanos lhe gostam de chamar, Drag Races, para demonstrar o seu valor, como pode ver no vídeo abaixo: