“Cansado de esperar” pelo ACES Gaia Norte, o município decidiu avançar sozinho para rastreio a idosos e profissionais. A partir deste sábado, a autarquia de Vila Nova de Gaia vai dispor de uma unidade de rastreio móvel à Covid-19 que irá percorrer os 59 lares de idosos e pessoas com deficiência do concelho.

A decisão do município surge depois de, há mais de uma semana, se ter disposto a pagar a integralidade dos testes naqueles equipamentos, mas neste período nada ter sido feito no Agrupamentos de Centro de Saúde (ACES) Gaia Norte para os concretizar.

Explicando que o agendamento de testes depende, formalmente, do agendamento dos ACES  e da Administração Regional de Saúde, o presidente da Câmara de Gaia regista que ao fim de uma semana “temos um número considerável [de testes feitos] no ACES Gaia Sul e nada no ACES Gaia Norte”.

“Desde o início consideramos o diagnóstico nos lares como uma estratégia fundamental para identificar potenciais positivos e evitarmos contaminações gerais. O município, cansado de esperar, decidiu avançar sozinho”, adianta Eduardo Vítor Rodrigues.

Para concretizar a iniciativa, a autarquia alugou uma carrinha devidamente equipada, contratou nove enfermeiros e assumiu um protocolo com o Hospital de Gaia. “Serão feitos testes em todos os lares, nove horas por dia e sete dias por semana, sendo expectável que o processo esteja concluído em dez dias. Todos os 1.700 utentes e 850 profissionais dos equipamentos serão testados”, adianta a câmara em comunicado.

Lar de Santa Isabel em Gaia com 17 casos confirmados pede enfermeiros

O primeiro lar a receber esta unidade móvel será o de Santa Isabel, em Mafamude, onde há mais de uma semana foram detetados seis casos positivos de Covid-19 e até ao momento, de acordo com o presidente da Câmara, “apesar das muitas insistências, não conseguimos que fossem feitos mais testes”.

Eduardo Vítor Rodrigues defende que “este atraso, esta burocracia e este sofrimento não são explicáveis. Não adianta que as entidades tenham boa-vontade e depois haja chefias intermédias a colocar tudo em causa. Se no ACES Gaia Sul as coisas têm acontecido com agilidade, o ACES Gaia Norte não tem resultados práticos e o município não espera mais. Avançamos e se alguém quiser acompanhar o nosso esforço, muito bem. Precisamos de quem ajude, não de quem bloqueie ou atrapalhe”, lamenta o autarca