A única forma de o mundo voltar a sair à rua sem medo de contactos sociais é através da existência de uma vacina para o novo coronavírus. Em Portugal, o primeiro-ministro tem dito que não conta que haja vacina no espaço de um ano ou um ano e meio, pelo que é com esse cenário que está a trabalhar o regresso gradual à (nova) normalidade. No Reino Unido, contudo, a comunidade científica está empenhada e mais otimista. Esta sexta-feira, o Governo anunciou a criação de um grupo e trabalho que reúne os vários projetos científicos de desenvolvimento de vacinas para a Covid-19, com financiamento estatal.

E apesar de o governo britânico também jogar com cenários pouco otimistas — de existência de uma vacina no prazo de um ano ou 18 meses — os investigadores da Universidade de Oxford, que integram esta taskforce, estão confiantes de que a vacina na qual estão a trabalhar possa estar disponível ao público até este mês de setembro. Ou seja, a tempo do próximo inverno. O prazo, contudo, não é consensual na comunidade científica, com outros grupos de investigação a apontarem para meados de 2021 como o prazo mais razoável.

O grupo de trabalho será composto por 21 projetos de investigação, e inclui membros da empresa farmacêutica AstraZeneca e da fundação médica britânica Wellcome Trust e será liderado pelo principal conselheiro científico do governo britânico, Patrick Vallance, e pelo especialista Jonathan Van- Tam, vice-diretor médico de Inglaterra. Juntos, vão receber financiamento de um fundo de investimento britânico no valor de 14 milhões de libras (cerca de 16 milhões de euros) para desenvolverem “rapidamente tratamentos e vacinas”. A ideia é desenvolver a vacina e conseguir que ela chegue à generalidade da população o mais depressa possível.

“Os cientistas britânicos estão a trabalhar o mais depressa que podem para descobrir a vacina contra o novo coronavírus, que permitirá salvar e proteger a vida das pessoas. Apoiamos todos os seus esforços”, disse o ministro Alok Sharma esta sexta-feira no habitual briefing em Downing Street, citado pelo Guardian, onde sublinhou que o grupo de trabalho agora criado é a “chave” para coordenar todos estes esforços, de forma a que a vacina chegue ao mercado o mais rapidamente possível. O consenso entre os especialistas é de que apenas uma vacina verdadeiramente credível poderá permitir aos vários países levantar verdadeiramente as medidas de contenção de de distanciamento social em segurança.

Embora o prazo de um ano a 18 meses seja o cenário considerado mais “razoável” pelo próprio governo britânico, há equipas dentro desta taskforce que acreditam chegar lá mais cedo do que isso. É o caso do professores Adrian Hill, diretor do Instituto Jenner da Universidade de Oxford, cujo projeto de vacina vai entrar este mês na fase de teste em humanos, que acredita poder ter vacina já em setembro. “O objetivo é que tenhamos pelo menos um milhão de doses disponíveis por volta do mês de setembro, e a partir daí começarmos a produzir mais depressa”, disse ao Guardian.

Além destes 14 milhões de libras que o governo anunciou esta sexta-feira que vai alocar a esta taskforce, já tinha anunciado antes, em março, um total de 250 milhões em financiamento para ajudar os esforços internacionais no sentido do desenvolvimento de uma vacina, com 10,5 milhões estritamente alocados a seis projetos específicos.

Entre este financiamento, avança o Guardian, inclui-se o financiamento para um possível medicamento de anticorpos que está a ser desenvolvido pela PHE (Saúde Pública de Inglaterra), que está a estudar um medicamento que poderá funcionar tanto como medicamento profilático (de prevenção) como medicamento de tratamento de doentes infetados. Outra parte do financiamento vai para um estudo intitulado Virus Watch (Observação do Vírus), conduzido pela Universidade de Londres, que se propõe testar 10 mil participantes de cada vez que reportarem qualquer sintoma potencialmente relacionado com a Covid-19 e, a partir daí, rastrear todos os seus movimentos através de aplicações de smartphones.