O gabinete de estudos económicos do Standard Bank considera que o adiamento da Decisão Final de Investimento da ExxonMobil no projeto da bacia do Rovuma, em Moçambique, vai dificultar o acesso a financiamento externo do país.

“O adiamento da Decisão Final de Investimento no projeto de Gás Natural Liquefeito na bacia do Rovuma é outro revés para Moçambique, já que prejudica a balança de pagamentos, o crescimento do Produto Interno Bruto e a perspetiva de cumprimento do orçamento”, escrevem os analistas na mais recente nota sobre as economias africanas.

No documento, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os economistas do gabinete de estudos deste banco sul-africano dizem que o adiamento “reduz materialmente o montante de entrada de capitais e o investimento direto estrangeiro que Moçambique deverá receber, e também prejudica a capacidade de acesso aos mercados internacionais por parte do setor público do país”.

De acordo com o Standard Bank, a questão da sustentabilidade da dívida ficará mais clara quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgar a análise sobre a sustentabilidade da dívida de Moçambique, “nas próximas semanas, definindo o montante de apoio financeiro que pode ser disponibilizado ao país”.

O projeto do Rovuma, liderado pela petrolífera norte-americana ExxonMobil, é o maior dos três grandes projetos de gás natural liquefeito em desenvolvimento em Moçambique, e era previsível que as operações começassem em 2025, mas parece agora cada vez mais provável que haja um adiamento.

Já este mês, a petrolífera anunciou oficialmente o adiamento da Decisão Final de Investimento, citando as difíceis condições de operação decorrentes do abrandamento da economia a nível mundial e a redução do preço das matérias-primas devido à descida da procura, no seguimento das medidas decretadas para conter a propagação da pandemia da covid-19.

Segundo o Standard Bank, a previsão de crescimento de 2,2% apontada pelo FMI, em linha com a estimativa do Governo, é otimista: “Vemos riscos acrescidos devido aos desafios de segurança e à materialização do cenário de menos investimento, especialmente considerando o adiamento do projeto da bacia do Rovuma”.