A polícia de Hong Kong deteve pelo menos 14 ativistas do movimento pró-democrático acusados pela organização de protestos não autorizados em 2019, avança a imprensa local deste sábado.

O partido político da Liga dos Social-Democratas confirmou na rede social Facebook que o seu presidente, Raphael Wong, o vice-presidente Leung Kwok-hung e o secretário-geral Avery Ng estão entre os detidos, segundo a EFE.

Também foram detidos ex-legisladores como Martin Lee Chu-ming e Lee Cheuk-yan, que antes pertenciam ao Partido Democrático, e Figo Chan Ho-wun, vice-coordenador da Frente Civil de Direitos Humanos, segundo o diário Hong Kong Free Press.

Foi ainda detido Jimmy Lai Chee-ying, fundador do jornal Apple Daily, conhecido pelo seu apoio ao movimento pró-democracia e pela sua oposição ao Governo pró-Pequim.

Todos os detidos estão acusados de organizarem os protestos proibidos realizados a 18 de agosto, 1 de outubro e 20 de outubro do ano passado, avança o jornal.

Alguns deles já tinham sido detidos devido à manifestação proibida de 31 de agosto, que marcou o décimo terceiro fim de semana consecutivo de protestos em Hong Kong e teve a participação de dezenas de milhares de pessoas apesar da chuva intensa desse dia.

Foi nesse dia que a polícia decidiu usar canhões de água tingida de azul pela primeira vez.

O protesto de 1 de outubro, que decorreu enquanto Pequim comemorava o 70.º aniversário da fundação da República Popular China, acabou com um baleado em estado crítico, dezenas de detidos e lançamento de gás lacrimogéneo.

Mais tarde, no dia 20 do mesmo mês, teve lugar outro protesto que pedia uma reforma do corpo policial e acabou igualmente com feridos graves, estradas bloqueadas e lançamento de coquetéis molotov.

Nos últimos meses, as autoridades de Hong Kong intensificaram os seus esforços para pressionar os dissidentes e, desde que começaram os protestos, em março do ano passado, detiveram ou multaram numerosos ativistas e figuras proeminentes da luta pró-democracia.

Os protestos começaram como oposição a uma polémica proposta de lei de extradição que, segundo os ativistas, podia permitir que Pequim acedesse a “fugitivos” refugiados na antiga colónia britânica, mas os motivos acabaram por alargar-se.

Os manifestantes apresentam cinco reivindicações: a retirada definitiva da lei da extradição, a libertação dos manifestantes detidos, que as ações dos protestos não sejam identificadas como motins, um inquérito independente à violência policial, a demissão da chefe de governo Carrie Lam e sufrágio universal nas eleições para este cargo e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

As manifestações, que mobilizaram centenas de milhares de pessoas e registaram graves confrontos com a polícia.

Os protestos foram, entretanto, suspensos devido à pandemia de covid-19, mas os seguidores do movimento pró-democrático avisaram já que quando a crise de saúde terminar tencionam voltar às ruas para novas manifestações.