A letalidade da covid-19 em Portugal tem sido mais letal nos homens do que nas mulheres, segundo dados fornecidos pela Direção-Geral da Saúde (DGS), e colocam o país dentro da tendência internacional desde o início da pandemia.

Até 17 de abril a DGS registou um total de 657 mortes no país por causa do novo coronavírus: 334 homens e 323 mulheres. Uma diferença pouco significativa, mas que tem outra dimensão quando se tem em conta a distribuição por sexo dos 19.022 casos confirmados, dos quais apenas 7.782 são do sexo masculino e 11.240 são do sexo feminino.

A taxa de letalidade reflete o peso do número de óbitos sobre os casos de infeção confirmados.

Em termos globais, este indicador apresenta um valor de 3,3% em Portugal (16.º no ranking de nações com mais casos), chegando aos 13,95% na Bélgica (4.440 mortes), 13,32% no Reino Unido e 13,11% em Itália. Em sentido inverso, o país fica somente atrás dos dados da Rússia (0,83%), da Turquia (2,19%) e da Alemanha (2,84%) entre as 16 nações em análise.

Já a extrapolação desta taxa por género indica que nos homens portugueses é alcançado uma letalidade de 4,1%, enquanto nas mulheres essa ameaça cai para 2,8%.

Embora nem todos os países e territórios estejam a apresentar a distribuição dos óbitos (ou casos de infeção) em função do género, aqueles que o fizeram já tornaram clara a existência de uma maior prevalência do sexo masculino entre as vítimas, mesmo quando estão em minoria no registo de doentes infetados, como sucede até ao momento em Portugal.

Segundo os dados da plataforma internacional Global Health 50/50, que defende a igualdade de género na saúde, e atendendo somente aos países mais atingidos pela pandemia, verifica-se essa tendência de maior letalidade nos homens em Itália (67%), China (64%), Espanha (63%), França, Holanda e Suíça (61%), EUA (60%), Alemanha e Irão (59%), e Bélgica (54%). E apenas em Itália e no Irão é que os homens representam a maioria nos casos identificados.

O tema de uma maior letalidade do SARS-CoV-2 sobre o sexo masculino já foi alvo de análise por alguns cientistas em artigos na imprensa internacional ao longo das últimas semanas. Porém, continuam a faltar estudos abrangentes e rigorosos que forneçam explicações sobre esta tendência e eventuais diferenças no modo de atuação do vírus entre homens e mulheres.