A Comissão Europeia vai adaptar o quadro financeiro plurianual 2021-2027 para fazer face à atual pandemia da Covid-19. Segundo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão, é “claro” que não vão existir cortes na coesão. “Isto é absolutamente claro. Porque também é lógico, vamos ter um orçamento europeu muito maior”, adiantou, em entrevista ao Expresso e à SIC.

A alemã considerou também que é “bom investir nas empresas saudáveis” em Portugal. “Não é apenas do interesse de Portugal mas de todos os outros estados”, disse Von der Leyen, que garantiu que estas empresas contribuem para o mercado interno. Estes apoios terão de ser aprovados de forma unânime por todos os países que integram a comunidade europeia.

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O anterior orçamento plurianual, desenhado antes da pandemia da Covid-19, tinha prevista uma redução de 10% na política de coesão — algo que em Portugal representava um corte de 7% face ao atual quadro, que ainda está a vigor e que termina no final deste ano de 2020. “Mais coesão para Portugal é importante”, destacou Ursula von der Leyen, ainda que ressalvando que esta política é crucial “para todos os outros Estados-membros”. A alemã voltou a defender que o próximo orçamento comunitário terá de ser o Plano Marshall necessário para recuperar as economias europeias. “Uma enorme onda de investimento nos próximos um ou dois anos”, acrescentou.

Esta sexta-feira, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução a solicitar a criação de obrigações de retoma garantidas pelo orçamento comunitário, ou seja, uma forma de emissão conjunta de dívida, chamada de recovery bonds (títulos de dívida de recuperação).

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Sobre se esse dinheiro vai ser atribuído aos Estados-membros através de subvenções ou empréstimo, a presidente da Comissão Europeia indicou que “poderá haver uma mistura de ambos”. “O orçamento europeu é composto na sua maioria por subsídios mas pode haver uma parte de empréstimos. Temos de encontrar o equilíbrio certo porque já prós e contras para ambos”, disse Von der Leyen. A alemã explicou ainda que esta é e será uma crise “diferente” da última, por envolver todos os países.

“Em Portugal, fizeram um ótimo trabalho nos últimos anos para fortalecer a economia e com isso estou convencida de que poderemos sair desta situação juntos e mais fortes e sem as dores da última crise”, terminou.