Os alemães lá sabem e, ao que tudo indica, as autoridades conseguiram provar aos seus cidadãos que poder circular em auto-estrada sem limite de velocidade não belisca a segurança e vai “alimentando” os (poucos) fabricantes alemães que produzem desportivos capazes de rodar a mais de 250 km/h. Curiosamente, esta decisão transformou a Alemanha num recreio para os europeus que querem saber até onde podem ir as suas “bombas”, sem incorrer em qualquer transgressão.

Um destes condutores, mortinho por levar a sua máquina aos limites, foi o proprietário de um Ferrari. E logo um LaFerrari, um dos melhores e mais sofisticados jamais produzidos. O LaFerrari monta um V12 atmosférico, com 6.262 cc e a capacidade de fornecer 800 cv. A esse bloco (com uma sonoridade ímpar) alia um motor eléctrico com 163 cv, alimentado por uma bateria tão pequena que a marca prefere não anunciar a respectiva capacidade. De todas as formas, é um híbrido e não um plug-in, pelo que se o objectivo é dispor da potência máxima, vai ter de contar mais com os serviços do motor a gasolina do que o movido por electrões. A menos que o V12 ceda parte da sua potência para recarregar a bateria.

O vídeo publicado nas redes sociais revela um LaFerrari a entrar na autobahn e a acelerar a fundo, aproveitando as abertas entre o trânsito que não era muito intenso. Tudo indica que o condutor conduzia só com uma mão e filmava com o telemóvel com a outra, o que desde logo revela uma certa falta de bom senso, especialmente para quem vai rodar a mais de 300 km/h.

No troço da auto-estrada que surge no vídeo, o Ferrari atingiu por momentos 372 km/h, um valor impressionante mas que, para ser homologado, teria de ser reconfirmado por uma velocidade similar em sentido contrário, para compensar uma possível ajuda do vento. No entanto, mesmo tomando esses 372 km/h como o valor máximo, falta introduzir o convencional atraso do velocímetro em relação à velocidade real. Este desvio existe sempre, para proteger os fabricantes por eventuais casos de excesso de velocidade em que os clientes incorram, visando ainda compensar possíveis situações de desgaste excessivo de pneus que induzam em erro o condutor, quanto à velocidade em que circula.

A margem de erro de um velocímetro oscila tradicionalmente entre 5% e 10% nos veículos menos velozes, podendo no caso do LaFerrari estar mais próxima dos 5%. Quer isto dizer que quando o Ferrari indicava 372 km/h, o carro italiano deveria rodar a ligeiramente menos de 353 km/h (se considerarmos um desvio de 5%), o que é compatível com a velocidade máxima anunciada pelo construtor, fixada nos 350 km/h.