O presidente do PS considera que o seu partido representa a esquerda portuguesa empenhada simultaneamente na proteção da liberdade económica e da igualdade de oportunidades, numa mensagem em que alerta para as ameaças às democracias.

Estas posições foram transmitidas por Carlos César, através de uma mensagem por vídeo dirigida aos militantes do seu partido por ocasião do 47º aniversário da fundação do PS na Alemanha, em 1973.

Carlos César começa por fazer uma alusão à atual crise sanitária do país, confrontado com o combate à propagação da Covid-19, observando que o aniversário do PS está a ser comemorado “em circunstâncias únicas, infelizmente penosas para todos, com uma situação pandémica que ceifa vidas, causa temor e que terá consequências graves na economia portuguesa, para os empregos e para a situação das famílias”.

Após uma breve referência às correntes e movimentos que estiveram na origem da fundação do seu partido, desde a década de 20 do século passado, passando pela Resistência Republicana e Socialista dos anos 50 e pela Ação Socialista dos anos 60, o ex-líder parlamentar socialista sustenta a tese de que o PS “foi acompanhando as mudanças sociais e económicas e renovando a sua oferta programática”.

Neste contexto, Carlos César reivindica que “o PS esteve na origem de impulsos reformistas essenciais e de enormes progressos” nos últimos 47 anos, dando como exemplo o Serviço Nacional de Saúde, e traça uma linha de demarcação face a outras correntes ideológicas da esquerda em Portugal.

“Somos a esquerda portuguesa empenhada na proteção da fronteira entre a inovação, a liberdade económica e a igualdade de oportunidades, evitando que uma invada a outra. Somos a esquerda defensora do Estado necessário, simultaneamente envolvido na proteção das pessoas e no estímulo às suas iniciativas. Somos a esquerda portuguesa empenhada na construção do Governo europeu, solidário, democrático, de segurança e de prosperidade comuns”, salienta.

O presidente do PS deixa em seguida uma série de avisos sobre o progressivo desgaste de muitas democracias, alegando que o mundo vive “um tempo novo, volátil, que exige uma nova relação entre os partidos e os cidadãos, uma nova inteligibilidade da realidade envolvente e, simultaneamente, um compromisso muito sério com a vida concreta das pessoas”.

“Só com essa consciência salvaremos as nossas democracias que estão seriamente ameaçadas. É com essas ambições que celebramos a energia e a maturidade dos nossos 47 anos”, acrescenta o ex-presidente do Governo Regional dos Açores.