A Aston Martin está numa situação complexa. Por um lado, investiu fortemente na concepção e desenvolvimento de vários novos veículos e, por outro, ainda não conseguiu começar a retirar proveito dessa mesma aposta, com a introdução desses novos modelos no mercado. Isso explica o facto de o fabricante britânico necessitar de dinheiro como de “pão para a boca” – ainda mais agora, mercê da Covid-19.

Depois de ter atravessado um extenso período de enormes investimentos, desenvolvendo novos modelos que ainda não chegou a vender, o construtor de Gaydon, supriu momentaneamente necessidades financeiras graças a um investidor canadiano, Lawrence Stroll, que adquiriu 20% da empresa, injectando o capital necessário. Só que agora falta pôr na rua os carros novos.

O fabricante britânico tem pronto o Valkyrie com 1176 cv, que promete ser o hiperdesportivo mais eficaz do mundo, desenhado pelo mago Adrian Newey, para o qual a marca já tem 150 clientes em fila, prontos a transferir os 3 milhões de euros a unidade (antes de impostos) a que se vão seguir mais 25 unidades da versão de competição, o Valkyrie AMR Pro, que exige um pagamento de 8,4 milhões de euros.

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Ao Valkyrie, a Aston Martin soma outro hiperdesportivo ligeiramente mais pequeno e menos potente, animado por um V6 sobrelimentado e complementado por um sistema híbrido plug-in (PHEV), que deverá rondar 1000 cv. As 500 unidades a serem fabricadas vão ser entregues a partir do próximo ano, por um valor que se acredita rondar 1,5 milhões de euros.

A terceira “prenda” que a Aston Martin vai ter para se recompor é o DBX, o SUV desportivo inglês que deverá ser o argumento mais lucrativo do construtor e cujas entregas deverão começar em breve.

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Depois de tudo isto, o CEO do construtor britânico, Andy Palmer, anunciou ainda que o pujante motor V8 deverá ceder o seu lugar na maioria dos modelos ao novo V6 da marca, que animará uma versão PHEV. E se considerarmos o Bentayga, que com uma mecânica similar conta com 450 cv e 700 Nm de binário, não muito longe dos 510 cv e 685 Nm do 4.0 V8 da Mercedes, é possível concluir que não só a Aston Martin vai reduzir o volume médio das emissões de CO2 da gama, como ainda vai conseguir proporcionar o mesmo tipo de emoções e cortar a “brutalidade” que certamente pagará ao seu fornecedor alemão de motores V8.