A agência de notação financeira Moody’s considerou esta segunda-feira que é “improvável” que a qualidade do crédito no retalho não alimentar e vestuário “recupere totalmente”, mesmo que as restrições colocadas devido à pandemia da Covid-19 sejam reduzidas.

“É improvável que a qualidade do crédito recupere totalmente, mesmo que as restrições sejam reduzidas”, refere numa nota de análise sobre os segmentos de retalho não alimentar e de vestuário.

A Moody’s refere que deu rating [avaliação] negativo em 26 das 36 empresas europeias de retalho não alimentar e de vestuário à qual costuma atribuir notação financeira “devido aos efeitos negativos, sem precendentes, do crédito, devido ao surto do novo coronavírus”, explica.

“A maioria dos retalhistas vão emergir da crise” com o crédito mais fraco, uma vez que terão dificuldade em recuperar para “níveis pré-coronavírus por algum tempo, se é que alguma vez” conseguirão.

De acordo com a Moody’s, “a maioria dos retalhistas têm liquidez suficiente para resistir a uma curta paragem, mas um período mais alargado irá colocar mais pressão sobre as empresas“.

Nesse sentido, “temos uma perspetiva negativa para metade das empresas que avaliamos e 31% estão” sob análise para revisão em baixa, prossegue a agência de rating.

“Estas perspetivas negativas e revisões refletem a nossa incerteza sobre quanto tempo irão durar as restrições e quão bem as empresas serão capazes de preservar a sua liquidez”, se o período for prolongado, apontam os analistas da Moody’s.

Os retalhistas na área de viagens e vestuário com larga presença em lojas “são os mais vulneráveis à erosão da qualidade de crédito”.

A qualidade de crédito dos retalhistas expostos ao segmento das viagens, ou com grandes redes de lojas, com custos fixos elevados e limitada presença online “serão os mais atingidos pelo surto do novo coronavírus e os seus posteriores efeitos”, consideram os analistas da Moody’s.

Para os outros segmentos de retalho, a qualidade de crédito também será fraca, mas a “sazonalidade e a presença online poderão suavizar” o embate da pandemia Covid-19.

“Esperamos que os gastos discricionários sejam lentos durante 2020, mesmo quando as restrições na circulação sejam aliviadas, uma vez que a confiança do consumidor permanecerá fraca”, salienta.

Por sua vez, os retalhistas com “fortes capacidades online ou com “dependência limitada” das vendas na temporada da primavera “serão mais capazes de superar o fecho das lojas”.

A Moody’s considera ainda que a pandemia poderá desencadear “uma reavaliação e transformação de modelo de negócio”.

Nesse sentido, “esperamos que a transição para o online acelere” e que alguns retalhistas aproximem a parte produtiva do resto do negócio e transformem as redes de lojas, “mas isso obriga a investimento”.

Em suma, “empresas com boa escala e liquidez serão capazes de aumentar a sua quota de mercado, enquanto adversários fracos” lutam pela sobrevivência.