Mais de 140 mil empresas candidataram-se ao sistema de lay-off aberto esta segunda-feira pelo governo britânico, protegendo mais de um milhão de empregos em risco devido à crise provocada pela pandemia da covid-19, revelou o ministro das Finanças, Rishi Sunak.

O número refere-se às candidaturas recebidas desde a abertura, às 8h, até às 16h de esta segunda-feira ao sistema oferecido pelo governo para apoiar as empresas durante o período de confinamento, cobrindo 80% do salário dos trabalhadores até 2.500 libras (2.900 euros).

“Um milhão de pessoas que, se não fossem suspensas, ficariam em risco de perder o emprego. As empresas que se candidataram hoje devem receber o dinheiro dentro de seis dias úteis”, adiantou.  

Sunak falava na conferência de imprensa diária do governo sobre a crise provocada pela pandemia, na qual referiu a existência de outras medidas de apoio às empresas e trabalhadores.

“O objetivo dos novos programas que desenvolvemos é manter o máximo de pessoas nos seus atuais empregos, apoiar empresas viáveis a manterem-se em atividade e proteger o rendimento dos trabalhadores por conta própria para poderem voltar a fazer negócios novamente”, vincou.

O ministro disse esperar que mais empresas se inscrevam no sistema nas próximas semanas, lembrando que essa possibilidade foi prolongada por um mês, até ao final de junho, na sequência da renovação do regime de confinamento por mais três semanas.

Um estudo publicado esta segunda-feira adianta que 21.200 empresas faliram no Reino Unido entre o início de março e meados de abril devido à paralisia económica decorrente da pandemia covid-19, mais 70% do que no ano passado, enquanto que o número de novas empresas caiu 23%.

A economia britânica arrisca ficar “apertada entre um aumento acentuado de encerramentos de empresas e uma queda paralela de novas aberturas devido a receios compreensíveis sobre o que o futuro reserva”, vincou Mark Hart, vice-diretor do Centro de Investigação sobre empresas (ERC).

Os setores de transportes, imobiliário, grossistas e serviços de informação são as áreas mais afetadas, identificou o estudo, levando Hart a lançar um apelo ao governo para apoiar empresas em risco, evitando assim a perda de milhões de postos de trabalho.

A transportadora aérea Flybe, a rede de restaurantes Carluccio’s, as lojas de roupa Debenhams, Oasis e Warehouse são algumas das que declararam insolvência nas últimas semanas.

O ERC receia que a economia britânica evolua na forma da letra L, com um declínio acentuado seguida por uma recessão prolongada, em vez de uma recuperação em forma da letra V sugerida pelo Gabinete de Responsabilidade Orçamental (OBR).

O organismo responsável por fiscalizar as contas públicas produziu um estudo onde sugeria que um confinamento de três meses, seguido por um levantamento gradual das medidas durante mais três meses, pode provocar uma queda de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre relativamente ao anterior, seguida por um crescimento económico de 25% e 20% nos trimestres seguintes.

O OBR também calculou que o sistema de lay-off do governo custe cerca de 42 mil milhões de libras (48 mil milhões de euros) nos primeiros três meses.

Esta segunda-feira o jornal The Times noticiou que o ministério das Finanças fez um estudo sobre o impacto do confinamento na economia e concluiu que, quanto mais longo, maiores serão os danos a economia, sugerindo que poderá resultar numa evolução em forma das letras U ou W, se houver um segundo confinamento resultante de um novo pico de infeções.

“Não podemos ter um risco de um segundo pico, por isso seria não só mau para prejudicial em termos de saúde, também seria mau para a economia”, vincou Rishi Sunak.

O Reino Unido registou 14.576 mortos em 108.692 pessoas infetadas até agora pela covid-19, de acordo com a atualização dos dados feita esta segunda-feira pelo Ministério da Saúde britânico.