Oito marinheiros do navio porta-contentores de bandeira portuguesa “Tommi Ritscher”, alvo de um ataque por piratas no Benim, foram esta terça-feira dados como desaparecidos pelas autoridades locais, anunciou a empresa que gere o navio.

O anúncio foi feito pela empresa alemã Transeste, propriedade de uma empresa de Singapura, e que gere as operações do navio que foi alvo de um ataque por piratas ao largo de Cotonou, uma das maiores cidades do Benim.

Segundo a empresa, citada pela agência France-Presse, após uma operação por parte das forças especiais da Nigéria e do Benim, realizada na manhã de esta terça-feira, 11 marinheiros foram encontrados sãos e salvos, mas “oito membros da tripulação estão desaparecidos e parecem ter sido raptados pelos piratas”.

Durante este período difícil, os nossos pensamentos estão com as famílias dos marinheiros desaparecidos, que mantemos regularmente informados sobre a situação”, acrescentou a Transeste.

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Fonte do Ministério do Mar confirmou esta terça-feira à Lusa que Portugal está a acompanhar o ataque ao navio porta-contentores de bandeira portuguesa “Tommi Ritscher”, mas salientou que compete ao Benim coordenar as eventuais ações a tomar.

“Dado o navio se encontrar dentro do mar territorial do Benim (dentro das 12 milhas náuticas), compete ao estado costeiro a decisão e coordenação das ações a desenvolver”, disse o Ministério do Mar numa resposta enviada à Lusa, na qual explicou que, “tratando-se de um navio com pavilhão português, o assunto está a ser acompanhado pelas autoridades portuguesas, nomeadamente pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, que estão em contacto com o Estado costeiro onde o incidente ocorreu”.

Na madrugada de sábado para domingo o navio porta-contentores “Tommi Ritscher” encontrava-se fundeado no mar territorial do Benim, a cerca de 2,2 milhas náuticas do porto de Cotonou, onde iria fazer escala, quando foi alvo de um ataque de pirataria, confirmou o Governo português.

Com a utilização de uma lancha rápida, os piratas fizeram uma abordagem ao navio durante a madrugada e subiram a bordo. Os alarmes de proteção foram acionados e a tripulação reagiu ao assalto, tendo as forças militares do Benim ido imediatamente para o local.

Segundo o Ministério do Mar não existiam tripulantes portugueses a bordo, sendo a sua maioria cidadãos filipinos.

A pirataria no mar está definida no Artigo 101.º da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), contemplando qualquer ato ilegal de violência realizada contra os tripulantes ou passageiros de navios, bem como de ilegal abordagem e tomada de controlo sobre o navio, podendo ser em alto mar ou em área de jurisdição de um país.

Na segunda-feira a Lusa noticiou, citando o site de informação marítima Dryad Global, que o porta-contentores de bandeira portuguesa “Tomii Ritscher” tinha sido abordado por uma lancha ao largo de Cotonou, a capital do Benim, e vários assaltantes subiram a bordo do porta-contentores.

Portugal tem um navio de guerra a 800 quilómetros do local, no quadro das operações de combate à pirataria no Golfo da Guiné.

O Gabinete Marítimo Internacional considera que o Golfo da Guiné é um dos locais mais perigosos para tripulações, depois de o número de raptos por piratas ter aumentado no último ano.

Segundo a organização, houve 121 tripulantes sequestrados em 2019 em águas do Golfo da Guiné, um aumento face aos 78 de 2018.