Na passada sexta-feira, Álex Pastor era um homem (e dirigente) de convicções. Tantas que fez até um vídeo onde ia respondendo às queixas de alguns vizinhos que iam chegando através das redes sociais – e até começou logo por aí, alertando para uma série de fake news que estavam a circular contra Badalona e contra o líder do município, neste caso o próprio. Depois, Trini deixou uma queixa. Como conta o El Mundo, queixava-se que tinha cumprido todas as regras de confinamento mas que na zona de Bufalà andavam como se nada fosse. A resposta foi assertiva.

“Tens toda a razão Trini! A verdade é que a grande maioria das pessoas tem estado a cumprir o seu confinamento mas há sempre aqueles que acham que são mais espertos do que os outros e que não têm de cumprir as regras. As pessoas não dão conta de que não estão a colocar em causa a saúde delas mas sim a nossa”, atirou, recordando ainda que as autoridades têm estado a atuar e a passar multas, cerca de 100 por dia. “Ontem [quinta-feira] foram 80. E vamos continuar assim para garantir a nossa saúde”, acrescentou. Isto na sexta-feira.

Esta quarta-feira, de forma surpreendente para quem não tenha acompanhado o resto da história, Álex Pastor apresentou a demissão de presidente de Badalona, cargo que ocupava há menos de dois anos depois da moção de censura apresentada pelo Partido Socialista da Catalunha (ao qual pertence) que contou então com o apoio do Partido Popular e também do Ciudadanos que fez cair Dolors Sabater, no cargo desde junho de 2015. E apresentou a demissão por um episódio que contrariou tudo o que defendera uns dias antes em público.

Na noite desta terça-feira, Pastor, de 40 anos, foi detido pelos Mossos d’Esquadra, sendo na altura acusado de fugir ao confinamento, conduzir sob efeito do álcool e resistir às autoridades em Eixample de Barcelona. E o El Mundo acrescenta ainda mais um dado: após ter sido “apanhado” por não estar a conduzir a viatura numa linha reta, sinal de que algo se passava, recusou-se a fazer o teste de alcoolemia e chegou mesmo a  agredir um polícia quando resistia à detenção entre gritos a alegar que era o líder do município de Badalona.

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Mas a informação foi conhecida em termos públicos, o PP começou a preparar uma moção de censura e também o Partido Socialista da Catalunha suspendeu de imediato Álex Pastor enquanto militante, pedindo ainda para que renunciasse ao cargo. “Independentemente da opinião positiva que merece toda a sua gestão à frente de Badalona, consideramos que estes atos são incompatíveis com a militância socialista e o exercícios de qualquer cargo público”, manifestou. Ainda na prisão, o presidente do município apresentou a sua demissão.

“As quantidade de horas que dediquei na presidência afetaram o meu lado mais pessoal e familiar, a minha saúde e o meu estado emocional levaram a que fizesse coisas das quais me arrependo”, referiu Pastor numa carta enviada via advogado e que foi lida pelo porta-voz do PSC, Rúben Guijarro. Já antes, entre janeiro e fevereiro, o dirigente de 40 anos licenciado em Ciências do Trabalho e que passou pela Associação de Jovens Estudantes da Catalunha, onde teve contacto com os movimentos sindicais da região, tinha estado de baixa, motivada por “problemas coronários”. Agora, o dirigente que passou de funcionário a presidente em três anos, como destaca o El Periódico, foi mesmo afastado. E com uma imagem de fracasso no “laboratório de Badalona”, como refere o El Diário.