Como é o seu dia-a-dia? O que sente perante a este inimigo invisível? O que o move ou o entristece? O que vê da sua janela? Que reflexões lhe provoca este período? Quais as suas formas de se adaptar e reinventar? São as respostas a estas perguntas que a atriz Marlene Barreto quer conhecer através de depoimentos de quem vive em quarentena em Portugal. Os registos serão integrados no documentário “Isolamento obrigatório”.

“Se cada um de nós fosse protagonista dos filmes das nossas vidas, as cenas antes do estado de emergência teriam dezenas de planos externos e personagens – durante a quarentena, porém, as nossas longas-metragens ficam limitadas ao lar, às poucas companhias com quem dividimos o teto, aos nossos cães, gatos, plantas e objetos. Em isolamento, o cenário das nossas vidas parece ser monótono. Mas não são monótonas – e muito menos irrelevantes – as histórias que temos para contar”, lê-se na apresentação do projeto que se quer coletivo.

A ideia é que os participantes gravem episódios, histórias ou desabafos do seu período de quarentena pelo telemóvel, máquina fotográfica ou qualquer outro dispositivo digital, em formato horizontal e com uma duração máxima de 15 minutos.

Depois é só enviar o conteúdo para o e-mail isolamento.obrigatorio@gmail.com. O material será incluído no documentário, que será espelho de um “momento histórico de crise e incertezas vivido por todo o mundo”. A produção é totalmente caseira e procura refletir “todos os desafios de criar um projeto cinematográfico sem sair de casa”.

A intenção de Marlene Barreto e da produtora Casulo é recolher o maior número possível de relatos imprescindíveis para o guião, que também irá apresentar entrevistas realizadas em videoconferência pela atriz com pessoas de diversos perfis sociais, como um médico, enfermeiro, operador de supermercado, jornalista político ou uma vítima do novo coronavírus.

A equipa garante que “tudo é valido” e o convite parece ser simples: “Queremos ver o que vai na alma. Sejam criativos, verdadeiros e genuínos”.