A China vai deixar cair um dos requisitos que até então tinha em vigor para a exportação de produtos de proteção contra a Covid-19: a obrigatoriedade de que, para serem exportados, os materiais tivessem de ser aprovados internamente, pelo regulador nacional. A partir de agora, para que os equipamentos saiam da China, basta que haja aprovação nos países que importam os produtos, segundo adiantou o ministério do Comércio chinês, este sábado, citado pela Reuters.

Em março, surgiram diversas críticas em países europeus face a material vindo da China, como as máscaras ou os testes de despistagem do coronavírus. De vários países chegaram acusações de que os testes enviados eram defeituosos e não seriam confiáveis. Por exemplo, Espanha, no final de março, encomendou 640 mil testes à empresa chinesa Bioeasy, para descobrir depois que, afinal, não funcionavam.

O país acabou por devolver os testes que já tinha recebido. E a China enviou novos exemplares, mas as críticas ressurgiram: também a estes faltava sensibilidade para que detetassem a presença do novo coronavírus. Apesar de serem rápidos — demoravam 15 minutos a produzir resultados — a sensibilidade era de apenas 30% quando devia ser de 80%.

Espanha. Novos testes Covid-19 encomendados pelo governo também não funcionam

Devido a essas críticas, a China, desde o final de março, passou a aplicar um requisito para a exportação destes produtos: o regulador tinha de aprovar todo o material antes de este ser exportado. Mas a medida terá irritado várias empresas, que terão pressionado os governos locais depois de verem a venda dos seus produtos dificultada. Agora, as regras vão mudar outra vez e basta que a aprovação exista nos países de destino para que os materiais possam ser exportados. A regra aplica-se a produtos usados no combate ao novo coronavírus, como os testes, as máscaras cirúrgicas, o equipamento de proteção, os ventiladores e os termómetros de infravermelhos.

“É errado ter uma política única. Cada país pode ter diferentes critérios para equipamentos médicos. A prioridade é ir ao encontro dos requerimentos dos países em que os produtos serão vendidos, em vez dos requerimentos onde o produto é feito”, disse Zhang Shuwen, presidente executivo de uma tecnológica que produz testes para o estrangeiro, citado pela Reuters.