Um inquérito realizado pela Associação Empresarial — Nervir, sediada em Vila Real, concluiu que 46,7% das empresas do distrito continuaram a laborar neste período de Covid-19, 13,3% suspendeu totalmente a produção e 40% parcialmente.

Com o fim do estado de emergência, a maioria das empresas diz-se preparada para retomar a atividade, mas teme a quebra na procura, a falta de liquidez e revela medo em relação ao futuro.

A Nervir informou esta segunda-feira que questionou as associadas sobre as dificuldades criadas pela pandemia da Covid-19 e a sua evolução, abrangendo empresas de serviços (50%), agricultura (30%) e indústria (20%). Mais de 76% destas empresas têm até 20 trabalhadores.

Segundo os resultados divulgados pela associação, 46,7% das empresas não suspenderam a produção, nem total nem parcialmente, ou seja, continuaram a laborar, sendo que apenas 13,3% suspendeu totalmente a produção e 40% o fez parcialmente. Destas empresas, apenas 36,7% tem trabalhadores em “lay-off”, as restantes 63,3% referiram não ter qualquer trabalhador nesta situação. Por outro lado, apenas 40% das empresas referiu ter trabalhadores em teletrabalho.

Quando questionadas sobre os fatores que mais estão a afetar a atividade empresarial, foi apontada a “quebra ou inexistência da procura, por parte de 79,2% das empresas, problemas de tesouraria (29,2%) e algumas referiram ainda problemas com cobranças.

Com o fim do estado de emergência, 96,6% das empresas, que agora estão com suspensão total ou parcial, referiram estar preparadas para retomar a atividade. No entanto, apontaram dificuldades que preveem enfrentar como “a falta de tesouraria por parte dos clientes, a quebra na procura resultante da quebra de confiança do consumidor e o medo em relação ao futuro, a dificuldade de escoar produto porque a abertura será parcial, a falta de liquidez e a quebra em todas as áreas de negócio, assim como o cumprimento dos prazos de pagamento”.

Já as empresas produtoras de vinhos da região, referiram ainda a “dificuldade da retoma da procura e comercialização de vinhos, a incerteza quanto ao escoamento de produção da campanha das vindimas 2019/2020, assim como a difícil retoma no canal Horeca (hotéis, restaurantes e cafés) e no enoturismo”. Apenas uma das empresas questionadas considerou a hipótese de, tendo em conta a atual situação, ter de encerrar a sua atividade.

As associadas da Nervir consideram que esta “vai ser uma crise longa e pedem apoios por parte do estado, com menos burocracia nas ajudas atribuídas, assim como na contratação de empréstimos bancários”.

As empresas de vinhos da região referem ainda que “até agora não conseguiram enquadrar as suas dificuldades em nenhuma das ajudas que o Governo implementou e que as vendas desapareceram, mas os custos continuam porque não podem parar os tratamentos e o cuidado das vinhas”.

A Nervir lembrou que colocou à disposição das empresas o Gabinete de Apoio Empresarial. A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Em Portugal, morreram 903 pessoas das 23.864 confirmadas como infetadas, e há 1.329 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

Portugal cumpre o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de março, e o Governo anunciou a proibição de deslocações entre concelhos no fim de semana prolongado de 1 a 3 de maio.