A agência de notação financeira Moody’s baixou esta terça-feira a perspetiva do “rating” do Novo Banco de positiva para estável, mantendo as classificações dos depósitos de longo prazo (B2) e da dívida sénior não garantida (Caa2).

“O Serviço de Investidores da Moody’s afirmou hoje os ‘ratings’ B2 para depósitos de longo prazo e Caa2 para dívida sénior não garantida do Novo Banco. A perspetiva nesses ‘ratings’ foi alterada de positiva para estável”, pode ler-se na nota esta terça-feira divulgada pela agência de notação financeira.

Segundo a empresa, “a ação reflete a deterioração do ambiente de operação proveniente do surto de coronavírus em Portugal, que limitará o potencial de subida do perfil de crédito do Novo Banco”, entendendo a Moody’s que o banco liderado por António Ramalho “estará exposto a uma reversão da sua tendência de melhoria na qualidade dos ativos e encontrará desafios adicionais para restaurar as suas métricas muito fracas de lucratividade”.

Como argumentação para a alteração, a Moody’s refere que a passagem da perspetiva para estável reflete “a visão de que à luz do ambiente de deterioração [da economia portuguesa, em face do confinamento], há uma alta probabilidade de uma reversão da tendência de melhoria do perfil de crédito do Novo Banco, que limita a pressão positiva anteriormente antecipada sobre a avaliação base do crédito do banco”.

Em particular, a Moody’s vê que o plano do Novo Banco para prosseguir a redução de riscos do seu balanço será provavelmente desafiado pela expectativa da agência de ‘rating’ de que os empréstimos problemáticos dos bancos portugueses irão aumentar à medida que a disrupção económica reduz a capacidade de pagamento das famílias e das empresas”, prossegue a nota da agência.

A Moody’s diz que o aumento dos empréstimos problemáticos “vai depender da duração da crise e, embora considere que as medidas de apoio do Governo irão contrabalançar positivamente, não serão suficientes para mitigar o impacto adverso na qualidade dos ativos”.

“Adicionalmente, a agência considera que a muito fraca métrica de lucratividade do Novo Banco vai ficar sob ainda mais pressão devido às provisões para perdas com empréstimos, menos crédito e receitas relacionadas com o volume de comissões, e uma pressão continuada na margem financeira, dado que as taxas de juro muito baixas persistem”, pode também ler-se na nota.

Para o futuro, a Moody’s assinala que “a estabilização da perspetiva do Novo Banco limita o potencial da subida de ‘ratings’ dos depósitos e de dívida sénior”, mas o perfil de crédito poderá ser melhorado “se o banco fizer progressos na redução do seu ‘stock’ de ativos problemáticos” e melhorar “as muito fracas métricas de lucratividade como resultado da reestruturação planeada das suas operações”.

Já uma revisão em baixa poderá ocorrer se, como resultado da deterioração do ambiente de operação em Portugal, a capacidade de absorção de riscos se deteriore em consequência de um enfraquecimento do risco dos ativos ou de perdas maiores do que o esperado, ou caso a liquidez do banco piore a partir da sua posição atual.

A empresa norte-americana de “ratings” confirmou ainda a Avaliação Base de Crédito (ABC) e a ABC ajustada em Caa1, tal como manteve a avaliação e o ‘rating’ de risco de contraparte de longo prazo em B1(cr) e B1, respetivamente. Já o “rating” da dívida subordinada permaneceu em Caa2, ficando também inalterados os ‘ratings’ e as perspetivas de curto prazo.

O “Grande Confinamento”, no âmbito da pandemia da Covid-19, levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.

Para Portugal, o FMI prevê uma recessão de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020.