A maioria das obras dos hotéis em construção no Grande Porto mantém-se mesmo com o estado de emergência decretado em Portugal, avançaram esta terça-feira à Lusa fontes do sindicato da construção civil e de uma associação hoteleira do Norte.

“O ritmo e o programa de obras estão a manter-se na maioria dos empreendimentos do Porto, mas admito que possa haver um retrocesso na data de início da obra em projetos que ainda não tenha começado”, declarou esta terça-feira à Lusa Rodrigo Pinto Barros, presidente da Associação Portuguesa de Hotelaria (APHORT), com sede no Porto e com cerca de sete mil associados.

Quanto aos empreendimentos turísticos que estão a ser construídos ao abrigo do programa europeu Portugal 2020, o presidente da APHORT refere que os promotores desses hotéis em construção têm de “cumprir os programas”. Rodrigo Pinto Barros admite, todavia, que possam vir a “negociar o prolongamento e/ou moratória no pagamentos das prestações ao abrigo do Portugal 2020”.

Fonte do grupo Mystic Invest, holding pessoal de Mário Ferreiro, empresário ligado também à Douro Azul, empresa líder de cruzeiros fluviais do rio Douro, em Portugal, com empreendimentos na área da hotelaria, tem atualmente um hotel em construção para 120 quartos junto ao rio Douro, do lado de Vila Nova de Gaia e, embora a abertura esteja prevista para o próximo verão, admite-se agora adiar a inauguração para outono de 2020 devido à pandemia da Covid-19.

Em entrevista à Lusa, Albano Ribeiro, do Sindicato da Construção do Norte, relata que “as obras privadas e públicas estão a funcionar no Porto e no resto da região”, mesmo em tempo de estado de emergência. Segundo o sindicalista, as obras dos hotéis na cidade do Porto, designadamente de hotéis novos na Avenida dos Aliados ou na Rua Sá da Bandeira, continuam e ser realizadas com dezenas de trabalhadores da construção civil. Há “algumas alterações nas rotinas das refeições”, explica.

O Sindicato da Construção do Norte lamenta, todavia, que muitos trabalhadores continuem a trabalhar sem as devidas medidas de segurança, como por exemplo as luvas, máscaras e sem terem feito testes Covid-19. Para Albano Ribeiro, as obras na construção civil deviam ser até se conhecerem os resultados dos testes covid-19 e até se fazer uma reavaliação dos trabalhadores do setor.

Portugal registava na segunda-feira 928 mortos associados à Covid-19 e a região Norte era a que regista o maior número vítimas mortais (536), seguida da região Centro (191), de Lisboa e Vale do Tejo (179), do Algarve (12), dos Açores (9) e do Alentejo que regista um caso, adianta o relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24h de domingo.

A nível global, segundo um balanço de segunda-feira da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou cerca de 207 mil mortos e infetou quase três milhões de pessoas em 193 países e territórios.