A bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE) considerou esta terça-feira que a retoma das consultas e cirurgias programadas que foram suspensas devido à Covid-19 “impõe que sejam acauteladas e reforçadas as medidas de proteção, de doentes e profissionais”.

Todos os procedimentos adotados nos últimos tempos relativamente aos equipamentos de proteção individual e diferentes circuitos de circulação nas unidades de Saúde têm que ser mantidos”, disse à agência Lusa Ana Rita Cavaco.

A bastonária disse que mais cedo ou mais tarde irá haver uma abertura progressiva de atividades que se encontram suspensas e que a Ordem dos Enfermeiros se encontra “neste momento a preparar um documento com orientações para a retoma assistencial não Covid-19”.

Independentemente da decisão que venha a ser tomada esta semana sobre o levantamento do estado de emergência, a bastonária da OE salientou que “é importante que todos tenham presente que a pandemia não passou e que o eventual fim do estado de emergência não significa o fim da pandemia”.

Da mesma maneira – adiantou – o fim do confinamento não significa que não se continue a adotar medidas de resguardo, ainda que as mesmas não sejam impostas.

Ainda acerca do retomar de atividades hospitalares que estavam suspensas, Ana Rita Cavaco sublinhou que a OE tem alertado que “há outras doenças que continuam a matar” e, por isso, a população não pode deixar de recorrer ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), nomeadamente, e a título de exemplo, no caso da vacinação, que é “uma questão que muito preocupa” a OE.

Assim, a OE está a preparar um documento com orientações para a retoma assistencial não Covid-19, designadamente as consultas e as cirurgias programadas que foram suspensas, com contributos de enfermeiros dos órgãos da OE e de profissionais que se encontram no terreno.

Avançou contudo com a ideia de que todos os procedimentos adotados nos últimos tempos relativamente aos equipamentos de proteção individual e diferentes circuitos de circulação nas unidades de saúde “têm que ser mantidos”, advertindo: “Não é hora de aliviar na proteção“.

Segundo a bastonária, a retoma assistencial não Covid-19 vai, naturalmente, levar mais utentes às unidades de saúde, pelo que é necessário que sejam “previstas e acauteladas as necessidades de material de proteção, para que não se volte a ter profissionais em risco ou dependentes da boa vontade da sociedade civil”.

Portugal contabiliza 928 mortos associados à Covid-19 em 24.027 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia divulgado na segunda-feira. Relativamente ao dia anterior, há mais 25 mortos (+2,8%) e mais 163 casos de infeção (+0,7%).

Das pessoas infetadas, 995 estão hospitalizadas, das quais 176 em unidades de cuidados intensivos, e o número de casos recuperados passou 1.329 para 1.357.

Portugal cumpre o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de março, e o Governo já anunciou a proibição de deslocações entre concelhos no fim de semana prolongado de 1 a 3 de maio.