O número de mortes provocadas pela Covid-19 no Reino Unido está agora nos 26.097, confirmou a Public Health England. A contagem já inclui as vítimas mortais registadas não só nos hospitais, mas também em lares e em casas particulares. O Reino Unido ultrapassa assim a Espanha em número de mortes e torna-se o segundo país da Europa com mais fatalidades.

De ontem para hoje, o número de mortes aumentou em 765. Os valores totais de mortes também foram atualizados para mais 3.811 do que havia sido contabilizado ontem.

Segundo Dominic Raab, ministro que está a conduzir a conferência de imprensa esta quarta-feira, isso não significa que tenha havido um aumento exponencial de fatalidades — apenas que o número foi atualizado em função da introdução de novos dados referentes ao período entre 02 de março e 28 de abril.

Ou seja, desde o início da pandemia no Reino Unido, houve mais 3.811 mortes do que tinha sido contabilizado até agora.

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Londres recusa publicar plano de final de confinamento antes da próxima semana

A atualização do número de fatalidades no Reino Unido surge no mesmo dia em que o governo recusou publicar o plano para o fim do confinamento decretado para travar a pandemia de Covid-19 antes de maio, apesar do aviso do líder do Partido Trabalhista para o risco de o Reino Unido “ficar para trás”.

O líder do principal partido da oposição, Keir Starmer, lembrou que países como França, Alemanha, Espanha e Bélgica já estão a aliviar as medidas de distanciamento social e referiu também que Escócia e País de Gales, que, juntamente com Inglaterra e Irlanda do Norte, formam o Reino Unido, já divulgaram documentos com diretivas para o final do período de confinamento.

“Atrasar arrisca não só ficar para trás de outros países, mas também a abordagem bem-sucedida das quatro nações até agora. Queremos apoiar o governo na estratégia de saída e apoiar a abordagem de quatro nações para sairmos todos ao mesmo tempo e, de preferência, da mesma maneira”, avisou.

Mas o ministro dos Negócios Estrangeiros, Dominic Raab, que representou o primeiro-ministro, Boris Johnson, no debate semanal com os deputados na Câmara dos Comuns, disse que o plano não será conhecido antes da próxima semana, quando é esperado um parecer especialistas médicos e científicos que aconselham o governo.  

Raab disse que “será difícil estabelecer posições antes de ter a informação do SAGE [Grupo de Aconselhamento Científico para Emergências] sobre a taxa de contágio de infeção e taxa de mortalidade”. 

Em conferência de imprensa, Dominic Raab explicou que pretende “ter a certeza que as medidas não vão conduzir a um novo pico no sistema nacional de saúde”, por isso é que não quer publicar o plano para já. O governo e o líder do Labour tiveram uma “boa conversa” e continuarão em conversações na próxima semana, garantiu.

Boris ausente após nascimento do filho

Apesar de ter regressado ao trabalho na segunda-feira após duas semanas de convalescença da infeção com o novo coronavírus que levou à sua hospitalização, incluindo três dias nos cuidados intensivos, o primeiro-ministro faltou esta quarta-feira ao debate devido ao nascimento do filho esta manhã.

A noiva, Carrie Symonds, de 32 anos, deu à luz um rapaz, o sexto filho de Boris Johnson, de 55 anos, dos quais quatro com a ex-mulher Marina Wheeler e uma filha fruto de uma relação extraconjugal enquanto foi Mayor de Londres.

Keir Starmer deu os parabéns ao casal, referindo que, “independentemente das diferenças, como seres humanos, temos de reconhecer a ansiedade que o primeiro-ministro e Carrie devem ter atravessado nestas últimas semanas, uma ansiedade inimaginável”.