O médico psiquiatra e investigador de Coimbra Miguel Bajouco é esta quarta-feira premiado com a bolsa D. Manuel de Mello pela sua investigação para melhorar o tratamento de psicoses, aliando técnicas de neuroimagem com inteligência artificial.

Miguel Bajouco recebe esta quarta-feira, numa cerimónia “online”, a bolsa no valor de 50 mil euros, promovida pela Fundação Amélia de Mello, CUF e José de Mello Saúde, e destinada a premiar a investigação de jovens médicos, anunciou a organização. O projeto de Miguel Bajouco está inserido na sua tese de doutoramento na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, em que tem como objetivo melhorar o tratamento de pessoas que têm o seu primeiro episódio psicótico.

30 a 40% [das pessoas que têm o primeiro episódio psicótico] não responde aos tratamentos de primeira linha. Ao não responderem, estarão mais tempo com uma menor funcionalidade e mais dificuldades em ter uma vida proveitosa e conseguir trabalhar”, disse à agência Lusa Miguel Bajouco, referindo que, nestes casos, quando os tratamentos de primeira linha não funcionam, os médicos acabam por seguir uma metodologia de tentativa e erro.

Nesse sentido, o projeto pretende ajudar a definir e clarificar qual o melhor tratamento para doentes que não respondam aos tratamentos de primeira linha, esclareceu. Para isso, o projeto pretende acompanhar vários doentes com um primeiro episódio psicótico, recorrendo a ressonâncias magnéticas e PET (Tomografia por emissão de positrões), para estudar o cérebro dos pacientes.

“Queremos perceber se existem diferenças entre os doentes que respondem aos tratamentos de primeira linha e os que não respondem, e procurar padrões que permitam distinguir um grupo e outro”, afirmou Miguel Bajouco, salientando que, para isso, o projeto vai recorrer à inteligência artificial e desenvolver um algoritmo que permita fazer previsões dos tratamentos mais adequados com base nos dados recolhidos.

Ao fim de seis meses, os doentes vão voltar a fazer as imagens para se ver o efeito do tratamento na biologia cerebral, com o objetivo de “estratificar os doentes, de acordo com o que será o melhor tratamento” para cada um deles, aclarou.

Miguel Bajouco começou a sua tese de doutoramento em 2017 e a fase de investigação este ano, esperando terminar dentro de três anos.

A bolsa D. Manuel de Mello foi instituída em 2007, tendo já atribuído 12 prémios para o desenvolvimento de projetos de investigação de jovens médicos no país.