A polícia norte-americana indicou esta quinta-feira que encontrou cerca de meia centena de corpos dentro de quatro pequenos camiões frigoríficos alugados por uma agência funerária, após ter sido chamada ao local por causa do cheiro nauseabundo que de lá emanava.

Fonte policial, sob a condição de anonimato, relatou esta quinta-feira à agência noticiosa AP, que o facto ocorreu na quarta-feira numa agência funerária localizada no bairro de Brooklyn, em Nova Iorque.

A polícia respondeu a uma chamada anónima a denunciar a existência do cheiro nauseabundo que aparentemente sairia da agência funerária e veio a descobrir que a empresa alugou quatro camiões frigoríficos para responder à demanda de inúmeros pedidos de funerais devido à pandemia causada pelo novo coronavírus.

Segundo a fonte, não foram apresentadas quaisquer queixas contra a Andrew T. Cleckley Funeral Home, que foi, porém, criticada por não ter tido em conta os odores.

A agência funerária foi autorizada, mais tarde, a obter um camião frigorífico ainda maior, para onde foram, depois, transportados os corpos por funcionários da empresa, todos devidamente equipados, à vista de todos.

As agências funerárias da cidade de Nova Iorque têm estado assoberbadas desde fins de março, na sequência da morte de milhares de nova-iorquinos devido à Covid-19.

A própria cidade, face ao elevado número de vítimas mortais – mais de 14.000 desde o início da crise pandémica -, tem instalado morgues um pouco por todos os bairros.

Os hospitais nova-iorquinos estão a recorrer a atrelados com câmaras frigoríficas uma vez que deixou de haver espaço para dezenas de corpos ao mesmo tempo.

Por sua vez, os crematórios já ultrapassaram os limites.

A polícia de Nova Iorque indicou ter já notificado o Departamento da Saúde (ministério), que fiscaliza a ação das agências funerárias, para a situação que se vive na Andrew T. Cleckley Funeral Home.

Entretanto, o “mayor” de Nova Iorque, Bill de Blasio, considerou “abominável” e “totalmente inaceitável” a pilha de corpos por sepultar retidos na agência funerária, mas defendeu que se trata de um “caso isolado” e que a cidade está a lidar adequadamente com o elevado número de mortes associadas à Covid-19.

“É um incidente horrível, é algo inconcebível. Não consigo entender como deixaram que isto acontecesse”, disse de Blasio, quando questionado sobre a situação, acrescentando que as agências funerárias “têm a obrigação de tratar com dignidade” quem servem e que as autoridades nova-iorquinas estão a apoiar as agências que o solicitem, pelo que esta deveria ter avisado as entidades competentes.

Os Estados Unidos são o país com maior número de casos de Covid-19 no mundo, quer de infetados, mais de um milhão, quer de óbitos, 60.999. Seguem-se Itália (27.682 mortos, mais de 203 mil casos), Reino Unido (26.097 mortos, mais de 165 mil casos), Espanha (24.543 mortos, mais de 213 mil casos), França (24.087 mortos, cerca de 169 mil casos).

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 227 mil mortos e infetou quase 3,2 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Cerca de 908 mil doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.