O Guia Michelin, publicado em 32 países, incluindo Portugal, vai adaptar-se à evolução da pandemia de Covid-19, com os inspetores a avaliarem os restaurantes com um critério “flexível e realista”, anunciou esta quinta-feira o diretor internacional.

Numa carta publicada esta quinta-feira e citada pela agência de notícias espanhola Efe, o diretor internacional do Guia Michelin, Gwendal Poullenec, afirma o apoio da companhia ao setor da restauração, face ao “difícil contexto social e económico atual” causado pela pandemia de Covid-19.

O responsável assegura que, graças às equipas em cada país, o Guia poderá “tomar as decisões apropriadas de acordo com a realidade local, à medida que a recuperação vá ocorrendo”.

De acordo com o diretor do Guia Michelin, enquanto decorrer a recuperação, os inspetores serão “flexíveis, sensatos, respeitosos e realistas”.

“[São] a alma das nossas cidades e povoações, o coração das nossas comunidades, e dos quais as pessoas vão querer voltar a disfrutar”, comentou.

Para manter o seu trabalho de ligar clientes a restaurantes quando estes voltem a funcionar e conseguir “seleções equitativas e consistentes para 2021”, o Guia recorrerá à internet e serviços digitais, mas a empresa assegura que “não há motivo de preocupação”: tanto as distinções das estrelas Michelin ou os ‘Bib Gourmand’ (que designam uma boa relação qualidade/preço) “significarão o mesmo em 2021, como sempre o fizeram”.

Poullenec reconhece, na carta, os “momentos difíceis” que enfrentam empresários e cozinheiros, envolvidos em “apostas pessoais nas quais empenharam todas as sua forças”, e agradece o trabalho daqueles que cozinham para os que mais necessitam nestas semanas.

“Trabalharemos em conjunto com as nossas equipas locais de inspetores de forma a que possamos assegurar que a situação regressa à normalidade da forma mais rápida e segura que seja possível. Sabemos que o regresso à recuperação será gradual, mas podem todos ter a garantia de que estaremos a ajudar-vos a avançar em cada passo”, continua, na carta.

O diretor internacional dos guias Michelin assegura que a companhia não irá cessar o seu trabalho de “encontrar restaurantes que sirvam boa comida, descobrir novos talentos e aproximar estes restaurantes àqueles comensais que desfrutam da gastronomia”, mesmo “nesta situação excecional”.

No início do mês, o Guia Espanha e Portugal anunciou que a gala de apresentação da edição de 2021 ocorrerá em 30 de novembro, aproximadamente na mesma data em que decorre a cerimónia anual (geralmente na terceira semana de novembro).

Na edição de 2020, Portugal conta com sete restaurantes com duas estrelas (‘cozinha excecional, merece o desvio’) e 20 com uma estrela (‘cozinha de grande nível, compensa parar’). O guia ibérico, que este ano celebra 110 anos, continua a não atribuir a classificação máxima (três estrelas, ‘uma cozinha única, justifica a viagem’) a restaurantes portugueses.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 227 mil mortos e infetou quase 3,2 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Cerca de 908 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 989 pessoas das 25.045 confirmadas como infetadas, e há 1.519 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.