O Líbano vai pedir a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI), anunciou esta quinta-feira o primeiro-ministro, Hassan Diab, após a aprovação de um plano de recuperação da economia do país endividado, num contexto de descontentamento social.

“Vamos pedir um programa do Fundo Monetário Internacional”, disse Diab num discurso televisivo, considerando que o plano de reforma aprovado pelo seu governo irá colocar o país no caminho certo para sair “da sua profunda crise financeira”.

Com o seu plano de reforma, para o qual o Líbano pediu em fevereiro uma assistência técnica do FMI, o governo estabeleceu “metas para cinco anos”, segundo Diab.

Trata-se de reduzir o défice público, mas também de obter “um apoio financeiro externo superior a 10 mil milhões de dólares (9,2 mil milhões de euros)”, além dos 11 mil milhões (cerca de 10 em euros) prometidos em 2018 numa conferência internacional em Paris, adiantou.

O objetivo é conseguir um crescimento positivo a partir de 2022, mas também de fazer descer a dívida pública para menos de 100% do produto interno bruto (PIB), precisou o primeiro-ministro.

A dívida ascende atualmente a 170% do PIB, uma das taxas mais altas do mundo.

Segundo a imprensa, o país necessita de 80 mil milhões de dólares (cerca de 73 mil milhões de euros) para sair da crise, incluindo entre 10 e 15 mil milhões de dólares (9,2 e 13,8 mil milhões de euros) em financiamento externo nos próximos cinco anos.

A aprovação do plano de recuperação ocorreu após três noites consecutivas de violência na cidade de Tripoli (norte), onde os manifestantes voltaram à rua para denunciar a queda do seu poder de compra.

As estimativas oficiais indicam que 45% da população (cinco milhões de habitantes) vive abaixo do limiar da pobreza.

A crise económica, a pior desde a guerra civil libanesa (1975-1990), foi um dos desencadeadores em outubro de 2019 de um movimento inédito de protesto contra a classe política, acusada de corrupção e incompetência.