A história está cheia de mulheres que ficaram famosas por terem pegado em armas. Contudo, houve sempre uma tendência para apresentar figuras como Mulan, Boudica ou Joana d’Arc como uma exceção à regra. Era precisamente esta a opinião do historiador militar inglês John Keegan que, no primeiro interlúdio do seu livro Uma História da Guerra, frisou a relevância desta “importantíssima limitação: a de que [a guerra] é uma atividade inteiramente masculina”: “A guerra é (…) a única atividade humana em relação à qual as mulheres se mantiveram sempre e em todo o lado, com exceções insignificantes, à parte. (…) as mulheres não lutam. Raramente combatem entre elas e nunca, em qualquer sentido militar, combatem contra homens”.

A historiadora norte-americana Pamela D. Toler defende precisamente o contrário. Na opinião da especialista em história militar e história das mulheres, “as mulheres sempre foram para a guerra: combatiam para vingar as suas famílias, defender as suas casas (ou cidades ou nações), conquistar a independência relativamente a uma potência estrangeira, expandir fronteiras do seu reino ou satisfazer a sua ambição”. Existem inúmeros exemplos conhecidos disto mesmo, e são ainda aqueles que nunca se chegaram a conhecer por falta de registos. Porque nisto, como noutras questões, “o desaparecimento das mulheres guerreiras faz parte da nossa tendência mais alargada de escrever a história no masculino”.

Foi procurando lutar contra esta tendência e contra opiniões como as de Keegan que Toler decidiu escrever Mulheres Guerreiras, “uma história inesperada” que mostra como, ao contrário do que muitas vezes tem sido dito, as mulheres sempre estiveram presentes na guerra, umas vezes lutando ao lado dos homens, outras liderando exércitos, desde os tempos mais antigos aos mais modernos. Os exemplos reunidos por Toler são muitos e variados. Mostram os diferentes e complexos contextos em que as mulheres pegaram em armas: existem histórias de mães que defenderam os seus filhos e famílias, de filhas que quiseram seguir o exemplo dos pais, de viúvas furiosas, rainhas poderosas ou de mulheres que simplesmente sentiram que o seu lugar era no exército.

As três mulheres cujas histórias contamos de seguida, e às quais Toler deu destaque no seu livro, são exemplo desta mesma diversidade: de tempos e origens muito diferentes, o papel que desempenharam na guerra foi também ele distinto. Há, porém, uma coisa que todas elas têm em comum — à sua maneira, deixaram a sua marca na história da região em que viveram.

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