O PCP criticou este sábado a ministra da Saúde, Marta Temido, por questionar a capacidade do sistema público para responder à recuperação de doentes em lista de espera, considerando que está “a dar a mão” aos privados.

Esta acusação consta de um comunicado difundido pelo Gabinete de Imprensa do PCP, no qual se diz estar em crescimento uma “campanha dos grupos económicos do negócio da doença, dos seus representantes políticos e propagandistas, incluindo os setores reacionários que sempre quiseram a destruição do SNS” (Serviço Nacional de Saúde).

Neste contexto, segundo os comunistas, “é profundamente criticável que a ministra da Saúde venha publicamente questionar a capacidade de o serviço público responder a outras necessidades, nomeadamente de recuperação dos doentes em lista de espera, alimentando assim a campanha contra o SNS e favorecendo os interesses dos grupos monopolistas da saúde”.

“O que se impõe não é questionar a capacidade do SNS em responder às necessidades do povo português na prestação de cuidados de saúde, mas sim concretizar as medidas necessárias, há muito identificadas, de reforço do serviço público. Não é aceitável transferir milhares de milhões de euros para quem faz da doença um negócio e usará esse dinheiro para contratar profissionais do SNS, pondo em causa o seu funcionamento”, contrapõe o PCP.

No comunicado, os comunistas afirmam também que se “impõe canalizar as verbas que se querem entregar aos privados para investir no SNS, incluindo para valorizar as remunerações e carreiras dos seus profissionais e contratar os que são necessários”.

Por outro lado, o PCP defende que o combate à pandemia de covid-19 “trouxe uma maior consciência coletiva sobre a importância e papel decisivos do SNS”.

“O PCP sublinha o facto de ser precisamente numa altura em que caiu por terra o mito das vantagens da gestão privada e da empresarialização que a ministra da Saúde se apresse, não a defender a necessidade da existência de um serviço público universal, geral, e gratuito, dotado de todos os meios necessários, mas a colocar em causa a capacidade do SNS, dando assim a mão aos privados que se esconderam durante os últimos dois meses e viram a sua atividade reduzida de forma muito significativa”, acusam os comunistas.

Para o PCP, se foi possível adotar um plano de emergência para responder aos impactos do novo coronavírus, “também é possível concretizar um plano de emergência para fortalecer a resposta geral do SNS no plano hospitalar, dos cuidados de saúde primários e da saúde pública”.

“É isso que se impõe”, frisa-se no mesmo texto.

O PCP considera ainda que o SNS “revelou-se imprescindível no tratamento dos milhares de doentes infetados pela covid-19”, frisando que se “encontraram no serviço público, não em seguradoras ou na prestação de cuidados entregues aos grupos monopolistas”.

“É com esta capacidade de resposta do SNS, que se exige ver reforçada, que povo português deve poder contar. Não apenas em situações agudas como as que vivemos, mas em todas as outras circunstâncias”, acrescenta-se.