“Nunca apostem contra os EUA, porque basicamente nada é capaz de parar o país” no longo prazo, asseverou Warren Buffett, lendário investidor conhecido como o Oráculo de Omaha. Nem a Guerra Civil, nem as Guerras Mundiais, nem a Grande Depressão nem a crise financeira – também não será o novo coronavírus que conseguirá abalar de forma duradoura o progresso do país. Mas já abalou a indústria do transporte aéreo – e, por isso, Buffett vendeu tudo o que tinha (e não era pouco).

Os comentários otimistas, característicos de Warren Buffett, surgiram na assembleia-geral anual da sua empresa – a Berkshire Hathaway, que é basicamente o veículo de investimentos de Buffett. É certo que a economia estará em recessão e os números do desemprego são historicamente maus, mas Warren Buffett lembra que por cada dólar que poderia ter investido quando acabou o curso na faculdade, nos anos 50, hoje teria 100.

A melhor aposta para os investidores, neste momento, é comprar ações diversificadas na bolsa americana, designadamente através do índice de referência S&P500. Apesar de todas as más notícias na frente económica, o índice teve um mês historicamente positivo, recuperando quase 20% depois das perdas de março. Buffett admite que os próximos meses continuem a trazer momentos de volatilidade, mas a prazo nada abala a visão geral positiva do investidor que é um dos homens mais ricos do mundo.

A exceção ao otimismo de Buffett é o setor do transporte aéreo. Aí, a Berkshire Hathaway desfez-se de todas as ações que tinha nas quatro transportadoras aéreas (norte-americanas) onde tinha participação bolsista. E não eram pequenas participações – a Berkshire tinha 11% da Delta Air Lines, 10% da American Airlines e da Southwest e 9% da United Airlines.

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“O mundo mudou” para estas empresas, reconheceu Warren Buffett, hoje com 89 anos. Ao contrário do que aconteceu durante a crise financeira de 2008, em que a quebra nas ações dos bancos foi usada como uma oportunidade para Buffett reforçar a sua exposição a bancos como o Wells Fargo, desta vez Buffett não achou “oportunidades atrativas” no setor mais penalizado pela pandemia.

“Nós tomámos uma decisão em relação ao negócio das companhias aéreas. Tirámos de lá dinheiro, mesmo tendo registado prejuízos significativos ao fazê-lo”, confirmou Warren Buffett. “Não vamos investir numa empresa que não fará outra coisa do que consumir dinheiro, nos próximos tempos”, comentou o líder da Berkshire.