O primeiro Prius da Toyota foi introduzido no mercado em 1997 e foi tudo menos um sucesso. Entre outros motivos, porque a marca nipónica perdia dinheiro em cada unidade que vendia. Mas nem tudo foi mau. Às costas do primeiro modelo que conciliava um motor a gasolina com outro eléctrico, alimentado por uma pequena bateria não recarregável, o construtor adquiriu uma imagem de sofisticação tecnológica que o ajudou a vender toda a gama, afastando-a de um fabricante que era sobretudo conhecido por produzir carros robustos.

Dois anos depois a Toyota já tinha vendido 2 milhões de híbridos, para os 5 milhões surgirem em 2013 e os 10 milhões em 2017, com a marca japonesa a anunciar ter superado os 15 milhões em Janeiro de 2020. Uma aceleração mais rápida após a introdução das versões híbridas nos C-HR, Corolla e Yaris, os mais vendidos da gama.

O facto de uma parte representativa das vendas da Toyota depender deste tipo de solução motriz, que permite reduzir os consumos e as emissões, o que tornou a marca extremamente popular em regiões como a Califórnia, faz com que a Toyota seja o construtor tradicional com mais facilidade em cumprir os limites de CO2 impostos pela Comissão Europeia em 2020. Sobretudo porque os motores híbridos gasolina/eléctricos tornaram viável abandonar os motores diesel.

A tecnologia que tanto dinheiro fez a Toyota perder duramente a primeira geração do Prius, rapidamente se transformou numa das suas maiores fontes de lucro. A prova que a decisão de enveredar pelos híbridos em 1997 foi  acertada, é que em 2019 cerca de 52% dos Toyota e Lexus recorriam a esta tecnologia, valor que sobe para 63% se considerarmos apenas a Europa ocidental, o que tem ajudado a tornar o construtor nipónico num dos mais rentáveis do mercado.