Mais de 140 famílias de refugiados em Angola precisam de assistência alimentar “para sobreviverem”, em período de confinamento social devido à Covid-19, alertou esta terça-feira o seu coordenador, pedindo “atenção especial às crianças órfãs e refugiados com doenças crónicas”.

“Todos estão confinados e os refugiados estão mais vulneráveis, temos um número elevado de refugiados com tuberculose e doença crónica, de crianças órfãs na comunidade, nos aproximamos ao governo através do Ministério da Ação Social, nos atenderam, mas não foi suficiente”, afirmou esta terça-feira o coordenador geral dos refugiados em Angola, Mussenguele Kopel.

Em declarações aos jornalistas sobre as implicações da Covid-19, o responsável agradeceu o apoio inicial prestado pelas autoridades angolanas, referindo, no entanto, que “foi insuficiente” e que “mais de 140 famílias”, sobretudo em Luanda, “continuam carenciadas, com fome e sem assistência alimentar”.

“E continuamos a pedir para o número de refugiados não atendidos sejam contemplados esta semana”, exortou.

Segundo Mussenguele Kopel, apesar de um trabalho em curso com as comissões municipais da Ação Social a “falta de documentos de muitos refugiados e requerentes de asilo” em Angola constitui um “entrave para a assistência aos necessitados”.

E “isso está a agravar ainda mais os problemas na comunidade, porque a assistência é por intermédio de documentos e esses que não têm documentos são os que mais sofrem”.

“Daí que apelamos à atenção das autoridades para com os indocumentados e apelamos também a pessoas de boa-fé no sentido de ajudarem os refugiados, muitos deles estão com fome, sem assistência alimentar, doentes, órfãos e outros”, apontou.

Para o líder comunitário, “é urgente” o funcionamento do Conselho Nacional dos Refugiados por forma a dar resposta a situação de centenas de refugiados e requerentes de asilo com documentos expirados desde 2015.

Mussenguele Kopel pediu igualmente esclarecimentos sobre a situação dos refugiados da Serra Leoa, Libéria e Ruanda que “já cessaram o estatuto de refugiados”, defendendo ainda trabalho conjunto para “estatística fiável sobre o número real de refugiados em Angola”.

Angola conta já com 35 casos confirmados da Covid-19, nomeadamente 22 casos ativos, onze recuperados e dois óbitos.

O país cumpre a segunda prorrogação do estado do estado de emergência que estende até domingo, 10 de maio.

O número de mortes provocadas pela Covid-19 em África subiu para 1.843 nas últimas horas, com mais de 47 mil casos da doença registados em 53 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 251 mil mortos e infetou quase 3,6 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Mais de um 1,1 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.