Em 2017, um dia que coincidiu com o primeiro encontro na Primeira Liga de um “grande” de manhã, Bruno de Carvalho quis juntar à habitual homenagem a memória de Marco Ficini, adepto italiano que morreu na véspera de um dérbi. Em 2019, Frederico Varandas aproveitou a data para homenagear Domingos Gomes, antigo médico do FC Porto. Hoje, num 7 de maio diferente em que Portugal começa agora a dar os primeiros passos para uma vida mais “normal” entre tempos de pandemia, Alvalade não teve uma cerimónia como é normal mas nem por isso o Sporting deixou de assinalar o dia: faz 25 anos que dois adeptos faleceram após a queda de um varandim.

Nesse dia, a 7 de maio de 1995, o antigo estádio de Alvalade recebia aquele que podia ser o jogo do título (como acabou mesmo por ser) mas a festa do FC Porto acabou por passar para plano secundário perante o que tinha acontecido pouco menos de duas horas do apito inicial: quando o autocarro dos azuis e brancos chegou perto da porta 12A, onde entravam as equipas visitantes, os adeptos leoninos já no interior do estádio (muitos deles da claque Juventude Leonina) aproximaram-se do varandim onde não estavam os elementos de segurança como costumava ser prática e essa proteção acabou por ceder, motivando uma queda de mais de cinco metros.

Duas pessoas perderiam mesmo a vida, além de se terem registado mais de 20 feridos (alguns com gravidade) que foram transportados aos hospitais mais próximos. José Gonçalves e Paulo Ferreira, Zé e Paulo, como eram conhecidos, morreram num dos momentos mais dramáticos no futebol português e que levaria três dias depois centenas e centenas de pessoas a encherem a rua Morais Soares num cortejo entre a igreja de Arroios e o cemitério do Alto de São João. A 7 de maio, mesmo depois do que acontecera, o jogo decorreu mesmo com tarjas negras na claque verde e branca e tarjas invertidas no topo onde estava a claque portista dos Super Dragões.

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“Estes são leões que o Sporting nunca poderá esquecer. Quando se fala de violência no desporto, nesta casa nunca os vamos esquecer. Para mim tem um significado especial, estava em Alvalade. Vivi de perto esse dia e jamais o esquecerei. O Sporting jamais o esquecerá. Lembro-me de ver como o hoje meu amigo e colega doutor Domingos Gomes. A primeira coisa que fez foi socorrer dezenas de feridos, fez o que pôde. São estes valores que cultivamos e admiramos no Sporting”, disse Frederico Varandas, na cerimónia do ano passado.

“Não foi fácil naquele dia nem por razões intrínsecas nem por razões extrínsecas. Foi difícil… Não estava sozinho, estava com outro elemento da equipa médica do FC Porto, o Renato. Estou grato por esta homenagem, infelizmente por uma situação em que evitámos males maiores. Quando cumprimos a nossa obrigação profissional de salvar vidas… Muito obrigado, as obras ficam com quem as pratica”, recordou Domingos Gomes.

Esta quinta-feira, mesmo sem cerimónia, o Sporting marcou a data através de publicações nas suas redes sociais, recordando não só José Gonçalves e Paulo Ferreira mas também Rui Mendes, adepto que perdeu a vida com um very light na final da Taça de Portugal de 1996, e Marco Ficini. A queda do varandim faz hoje 25 anos.

Entrevista a Domingos. Os carrinhos de Robson no balneário, o corte de cabelo a Fernando Santos e os casaquinhos de Branco