Em parte porque os clientes o exigem, mas também porque o legislador tem vindo a obrigar os fabricantes a dotarem os seus veículos com sistemas mais eficientes para diminuir os consumos e as emissões, enquanto incrementam a segurança, os automóveis modernos têm vindo a reforçar o seu conteúdo tecnológico, o que tem feito disparar os custos. De acordo com a Deloitte, este reforço da electrónica tem elevado os custos e o peso desta componente no preço final do veículo, onde já ronda os 40%.

As explicações apontam o dedo à adopção de soluções como os airbags, que em 2004 equipavam apenas 25% dos veículos novos, mas que hoje se estenderam à totalidade do parque. Da mesma forma que, há 16 anos, somente 20% dos modelos possuíam qualquer sistema de controlo de estabilidade, vulgarmente conhecido como ESP, que hoje equipa de série até os modelos mais acessíveis.

De caminho, os dispositivos que detectam alterações na pressão dos pneus, veículos no ângulo morto ou as ajudas ao estacionamento passaram igualmente a estar disponíveis na maioria dos modelos em comercialização. Isto enquanto os airbags laterais passaram a fazer parte do equipamento base de muitas versões, em companhia dos Android Auto e Apple CarPlay, hotspot, retrovisores anti-encandeamento e sistemas start/stop.

Se considerarmos a adopção de motores a gasóleo com injecção de AdBlue, de motores a combustão com soluções híbridas e híbridas plug-in, que recorrem a baterias e respectivos sistema de gestão de energia, aliados a dispositivos que mantêm o carro na faixa de rodagem, lêem os sinais de trânsito, adaptam a velocidade do veículo às condições de trânsito, através do cruise control adaptativo, e mantêm o automóvel no centro da faixa de rodagem, é fácil perceber que o preço médio só podia aumentar.

A Deloitte determinou que se os custos da componente electrónica num automóvel eram de 18% em 2000, subiram vertiginosamente para 40% em 2020, prometendo continuar a crescer rumo aos 45% em 2030. O que não deixa de ser impressionante, uma vez que os automóveis continuam a possuir chassi, suspensões, motores e transmissões, no caso dos modelos convencionais com motores de combustão.

Mas o maior problema para os construtores é que os sistemas electrónicos são adquiridos a fornecedores, uma vez que poucos, para não dizer nenhuns, concebem a componente electrónica. Isto faz desaparecer uma fatia importante da receita e dos lucros, sendo agora mais evidente a razão que levou a Tesla a integrar esta componente in house, com a marca norte-americana a conceber e a produzir praticamente tudo o que necessita, até mesmo os chips que gerem o sistema de condução autónoma, sendo o único fabricante que controla esta tecnologia que, dentro de uns (poucos) anos, está condenada a tornar-se determinante para a viabilidade dos construtores.