O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou este domingo que tinha acesso a “provas enormes” que apontavam para que o novo coronavírus tenha tido origem num laboratório em Wuhan, na China. Agora, o discurso, apesar de continuar crítico sobre o papel chinês, já não é tão assertivo, tendo afirmado que há possibilidade de isso não ser verdadeiro.

Depois de uma semana de críticas, incluindo do governo chinês, esta quinta-feira afirmou numa entrevista de rádio, como noticia a ABC: “Há evidências de que ele veio de algum lugar nas proximidades do laboratório, mas isso pode estar errado”. Noutra entrevista no mesmo dia, disse: “Vimos evidências de que veio do laboratório. Mas isso pode não ser o caso”.

“Provas enormes” de que vírus veio de laboratório chinês, garante secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo

Neste domingo, Pompeo não foi ao ponto de sugerir que poderia ter sido um vírus geneticamente modificado. Contudo, admitiu que podia ter sido algum vírus natural que estivesse a ser estudado naquele laboratório que poderia ter escapado, por acidente. “Tenho visto o que os serviços secretos têm dito – e não tenho quaisquer razões para achar que eles estão errados”, comentou o secretário de Estado dos EUA, criticando as autoridades de Pequim pela gestão do caso.

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Posso dizer-vos que há um conjunto significativo de evidências que isto veio daquele laboratório em Wuhan”, disse então Mike Pompeo num programa do canal ABC, em referência ao instituto de virologia conhecido como P4, naquela região. E continuou: “Esta não é a primeira vez que tivemos o mundo exposto a um vírus por causa de problemas num laboratório chinês“.

Não há provas científicas de que o SARS-CoV-2 tenha sido criado num laboratório. Pedro Simas, virologista do Instituto de Medicina Molecular, tinha confirmado ao Observador que o surgimento de um novo vírus em circulação entre humanos, embora seja um fenómeno raro, não é estranho. “Cada espécie tem um conjunto de vírus. Às vezes surgem vírus novos, quando passam de uma espécie para outra. Geralmente isso acontece quando duas espécies entram em contacto, quando normalmente não o estão”, descreveu em abril.

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Na quarta-feira, o governo chinês afirmou que  “Pompeo falou por várias vezes, mas não pode apresentar nenhuma evidência”, disse Hua Chunying, porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, em conferência de imprensa. “E porquê? Porque não tem nenhuma”, acusou.

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O governo dos EUA tem aumentado a pressão sobre os governantes chineses. Nas últimas semanas, o executivo liderado por Donald Trump acusou o regime comunista de ter reagido lentamente após ter detetado o vírus e afirmou que a doença teve origem no Instituto de Virologia de Wuhan.

China diz que Pompeo não tem provas de que vírus saiu de laboratório

Ao mesmo canal, um responsável dos serviços de inteligência norte-americanos afirmou que “até o momento”, não há sinais que apoiam a especulação de que o laboratório de Wuhan está detrás do novo coronavírus. Também “não parece que nenhuma pessoa ou local conectado ao laboratório tenha adoecido no início do surto”, disse esta mesma fonte à ABC.