Investigadores chineses fizeram testes com esperma de homens infetados com Covid-19 e encontraram vestígios do novo coronavírus numa pequena parte do grupo avaliado. Dos 38 homens, que estavam hospitalizados com a doença, seis deles (16%) tiveram amostras cujos resultados foram positivos. Ainda que a descoberta seja preliminar, pode significar a abertura de um precedente.

Os resultados foram publicados no Journal of the American Medical Association, onde pode ler-se que a a equipa de investigadores destaca que são necessárias mais pesquisas para confirmar se a transmissão sexual é possível e se esta pode ter alguma relevância dentro do contexto da pandemia. “Se for possível provar que a SARS-coV-2 pode ser transmitida sexualmente, a transmissão sexual pode ser uma parte crítica na prevenção”, escrevem.

No entanto, outros estudos foram apontando conclusões contrárias: em março, uma pesquisa da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva reuniu 34 homens com diagnóstico positivo de Covid-19 e durante 31 dias não apresentaram vestígios de coronavírus no esperma. Em fevereiro, uma outra pesquisa feita na China, com 12 pacientes, teve conclusões no mesmo sentido.

“Não nos devemos surpreender se o vírus que causa a Covid-19 for encontrado no sémen de alguns homens, já que isso foi demonstrado com muitos outros vírus como o Ébola e o Zika”, disse à agência Reuters Allan Pacey, professor de andrologia da Universidade de Sheffield.

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A pesquisa foi realizada no Hospital Municipal de Shangqiu, na província chinesa de Henan e propõe perceber quais as consequências de uma possível presença do vírus no esperma. “Mesmo que o vírus não se possa reproduzir no sistema reprodutivo masculino, ele pode persistir, provavelmente resultante da imunidade privilegiada dos testículos”, assumem, reforçando a necessidade de se perceber “o tempo de sobrevivência e a sua concentração” no sémen.

O estudo, “limitado pelo pequeno número de pacientes”, como indicam na revista científica, quer ainda ser uma porta para a discussão e prevenção da Covid-19.